domingo, 12 de julho de 2009

Vinho e Bordado presentes na Expomadeira 2009


O Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, está presente na 26.ª Edição da Expomadeira, com o objectivo de promover e consolidar o conhecimento dos produtos regionais, com particular enfoque no Vinho e Bordado da Madeira.
O stand, no certame organizado pela ACIF, tem uma área de 54 metros quadrados e divide-se em três sectores - Vinho, Bordado e Projectos orientados pela Direcção Regional da Agricultura e de Desenvolvimento Rural e pela IGA.
Trata-se de um espaço com design orientado para dar continuidade à Campanha de Verão do Madeira com Gelo, onde o branco determina a frescura desta bebida, proporcionando também o contexto ideal para enquadrar o Bordado Madeira.
O Vinho Madeira Doce é o mais aconselhado para ser acompanhado com gelo e limão. Simples de preparar, é um aperitivo ou digestivo ideal para um encontro entre amigos, seja em casa num bar, ou mesmo num restaurante.
Ao longo dos dias da feira, serão dadas provas das 20h00 às 21h00. Para além da presença do Vinho Madeira, estarão em evidência os vinhos de mesa de qualidade produzidos na Região: o VQPRD “Madeirense” e o Vinho Regional “Terras Madeirenses”, branco, tinto e rosé. Serão ainda apresentados outros produtos regionais tradicionais, como os licores e o Mel de cana-de-açúcar e seus derivados.
No espaço Bordado Madeira impera o branco, impresso também nas peças, também elas brancas, leves, fazendo brilhar as formas puras do design.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Queijadas da Madeira


A doçaria madeirense acompanha a qualidade da sua gastronomia e constitui um excelente complemento para a degustação dos seus apreciadores. A sugestão que apresento constitui uma das mais apreciadas iguarias da doçaria regional, cada vez mais rara nas poucas confeitarias madeirenses. Desta forma, contribuo para a preservação de uma herança que o tempo teima em apagar.


Ingredientes:

170 g de farinha
1 c. (sopa) de açúcar
1 c. (sopa) de manteiga
0,5 dl de água

Para o recheio:
125 g de requeijão
75 g de açúcar
2 gemas
1 c (sopa) de farinha
manteiga q.b.

Começe por juntar o açúcar com a manteiga, envolvendo muito bem com a água deitada aos poucos. Amasse até ficar com a consistência desejada, de forma a poder estendê-la. À parte, prepare o recheio, juntando o requeijão (depois de passado por um passador), com açúcar, as gemas e a farinha. Bata tudo bem e leve a engrossar em banho-maria. Fora do lume, bata mais um pouco com as varas e deixe arrefecer. Em seguida, estique a massa. Corte pequenas quantidades, coloque em formas previamente untadas com manteiga e farinha. No interior, coloque um pouco do recheio. Tape com um disco ou tampa da mesma massa, puxe as pontas e sobre estas pincele com um pouco de manteiga. Coza em forno bem quente (180 ºC), cerca de 15 a 20 minutos.


Sugestão: Para atenuar o sabor do requeijão, adicione ao recheio, na altura de o preparar, raspa de 1/2 limão e 1 c. (café) de canela em pó.


Bom apetite!



Dourada com azeitonas


A dourada da Madeira é produzida em grande escala (cerca de 600 toneladas por ano), em cativeiro, nos mares do Caniçal e mais recentemente no Campanário. Apreciado pelas qualidades nutritivas, a dourada da Madeira é já comercializada no território nacional (através da cadeia Pingo Doce), em Espanha e na Venezuela. A sugestão que apresento, para duas pessoas, é económica, de fácil confecção e constitui uma excelente prato para ser consumido no Verão.

Ingredientes:
2 douradas
250 g de semilhas
70 g de toucinho fumado
50 g de azeitonas pretas
2 folhas de louro
1 copo de vinho branco seco
2 c. (sopa) de azeite
Sal e pimenta q.b.

Pré-aqueça o forno a 220 ºC. Coloque as douradas limpas e secas num tabuleiro. Descasque as semilhas, corte-as em rodelas finas e coza-as durante três minutos em água a ferver temperada com sal. Escorra-as e distribua-as no tabuleiro, sobre o peixe. Acresente o toucinho em tiras. Tempere com sal e pimenta e regue com o azeite. Leve ao forno por 10 minutos. Regue com o vinho, junte as azeitonas e as folhas de louro em pedaços. Deixe assar mais 15 minutos. Retire e sirva acompanhado com uma salada fresca de alface e tomate.

Bom apetite!

Salada de mariscos


Na Madeira os mariscos são sempre apreciados, mas no Verão assumem um especial período de degustação. A sugestão que apresento, para duas pessoas, é de fácil confecção e de equilíbrio calórico. Na reunião dos ingredientes, procure a melancia do Porto Santo, mais suculenta e saborosa do que as restantes vindas de fora também à venda nas superífices de distribuição alimentar.

Ingredientes:
200 g de camarão
1/4 de melancia
6 folhas de alface
1 talo de aipo
75 g de miolo de mexilhão cozido
maionese light
alho, pimenta, sal e salsa q.b.
Sumo de 1/2 limão

Adquira já o camarão cozido, descasque e reserve. Corte a melancia em cubos, sem as sementes e reserve. Envolva o camarão com o mexilhão e acrescente a melancia, o aipo cortado. Guarde no frio por alguns minutos. Enquanto isso, envolva a maionese com o alho esmagado e a salsa picada. Tempere com sal e pimenta e adicione o sumo de limão. Corte a alface em tiras e estenda numa saladeira, junte o preparado de camarão e sirva com a maionese temperada.

Opção: Pode substituir o aipo pelo pepino em pedaços.

Bom apetite!

sábado, 4 de julho de 2009

Bolo de maçã


Os amigos são para muitas ocasiões, até para nos adoçarem a alma. A minha amiga katucha enviou-me uma receita original que gostaria partilhar com os visitantes deste espaço. Como digo muitas vezes, um doce de vez em quando não é pecado. Mãos-à-obra e vamos provar esta saborosa iguaria.

Ingredientes:
250 grs de manteiga
250 grs de farinha
220 grs de açúcar(amarelo de preferência)
6 Ovos
75 grs de amêndoa laminada
3 maçãs reineta
canela q.b
4 c. (café) de Pó Royal
1 chávena de leite

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Separe as claras das gemas. Bata a manteiga, que deve estar à temperatura ambiente, com o açúcar até ficar cremoso, junte as gemas e a baunilha. Em seguida junte o fermento à farinha e por sua vez junte esta ao preparado anterior, adicionando o leite pouco a pouco. Nota que o preparado deve ficar cremoso, mas não muito liquido pelo que, dependendo do tipo de farinha, deverá ser controlada a quantidade de leite. Bata as claras em castelo e envolva com o preparado anterior. Entretanto, descasque a maçã e corte em lâminas. Unte a forma com manteiga e farinha, e deite nesta metade da massa do bolo, disponha a maçã numa só camada, espalhe a amêndoa laminada e polvilhe com um pouco de canela. Deite por cima a restante massa espalhando uniformemente. Por fim polvilhe ligeiramente com canela e leve a cozer ao forno a 180ºC.

Nota: Fica muito bom, espalhar no final da cozedura e ainda com o bolo quente uma colher de sopa de manteiga, polvilhando em seguida com açúcar refinado.

Bom apetite!

terça-feira, 23 de junho de 2009

O milho na gastronomia madeirense (II)


0 milho era o alimento das classes pobres e a ausência da farinha atingia principalmente estes, por isso o articulista do DN apelava, em Agosto de 1943, às classes mais abastadas, que lhe reservassem este privilégio. «O milho é o alimento
das classes pobres, das classes populares(...) o milho, repetimos, é o alimento dos pobres. Assim aqueles que o podem dispensar, deixem-no aos pobres porque para as almas bem formadas, deve constituir amargura, provocar, impensadamente, as faltas de alimentação nos lares onde o dinheiro não abunda».
Mais tarde, no Inverno de 1945 em face de novas dificuldades as páginas do mesmo jornal abriram-se para expressar o grito plangente ecoado por todos os madeirenses em surdina. 0 Racionamento de 1 kg semanal por cabeça propiciou o seguinte comentário: «Não era bastante para as necessidades duma população que tinha afeito a sua economia doméstica ao consumo quase diário daquele produto (...), numa terra onde
o milho se podia chamar o pão-nosso de cada dia».
Nessa altura a Madeira tinha necessidade de importar anualmente 13.000 toneladas de milho.
Mas aqui, mercê da iniciativa da Comissão Regulador do Comércio de Cereais, a situação não foi tão gravosa como havia sucedido no decurso da Primeira Guerra. A política de intervencionismo económico definida por Salazar levou à criação em 1954 do grémio do milho colonial português e em 1958 surgiu a delegação madeirense da Junta de Exportação dos Cereais, que passou a coordenar todo o processo de abastecimento e fixação de preços do grão e farinha.
Foi responsável Ramon Honorato Rodrigues, que em 1962, no momento de extinção, publicou uma memória sobre os serviços prestados pela junta que presidiu. Por ai se ficou a saber das dificuldades sentidas nos anos da guerra e da acção da Junta e Governador Civil para solucionar a situação por meio do racionamento do
milho e da solicitação de carregamento à ordem do governo.
Para termos uma ideia das dificuldades basta-nos aludir à capitação estabelecida pelo racionamento e relacioná-la com a média anterior à guerra: entre 1937-39 ela foi de 123 kg/ano, enquanto de 1942-44 passou para apenas 80 kg. Mas houve anos em que a situação se agravou: por exemplo em Março e Abril de 1945 a ração semanal por cabeça era de apenas 550 gramas de milho. A partir de 1941 o racionamento foi determinado por concelho de acordo com o número de cabeças de casal, variando o quantitativo conforme os stocks disponíveis.
No último quartel do séc. XX, o milho branco escasseou nos mercados, sendo substituído pelo milho amarelo, menos apreciado, deixou definitivamente de ser a base da gastronomia madeirense, continuando até aos nossos dias a ser uma iguaria apreciada, mas cada vez mais rara à mesa.
Curiosamente, são os restaurantes que continuam a cozinhar o milho e a fritá-lo para gáudio dos comensais, residentes e turistas, sobretudo os apreciadores de espetada.

O milho na gastronomia madeirense (I)


Calcula-se que o consumo do milho ronde os 7000 anos, com origem na América Central, sabendo-se que as civilizações astecas, maias e incas, alimentavam-se e tendo no cereal uma relação de cunho religioso.
Reza a história que até o descobrimento da América, em 1492, os europeus desconheciam por completo a existência do milho. Quando Cristóvão Colombo levou apresentou algumas sementes de milho, terá causou grande sensação entre os botânicos de então.
Linneus, na sua classificação de gêneros e espécies, denominou-o por "zea mays", do grego "zeia" (grão, cereal), e em homenagem a um dos principais povos da América, os maias. Hoje, seu consumo abrange praticamente todas as partes do mundo.
Na Madeira, a entrada do milho na alimentação acompanha a tendência do resto do país até ao século XIX, visto até então a batata, a semilha, o ínhame e os cereais, mormente o trigo, constituírem a principal base alimentar da população.
Com a crise da semilha, em 1841, provocada pelo míldio, os madeirenses sentiram necessidade de promover uma cultura de substituição, optando pelo milho. A fome teve uma expressão significativa, obrigando as autoridades de então a enviar uma delegação a Cabo Verde com intuito de serem aprendidas técnicas de plantação em escala e na aquisição de algumas toneladas do produto.
O milho constituiu a partir dessa altura a base alimentar da maioria da população madeirense, pese embora, as famílias mais abastadas, apenas esporadicamente consumissem o milho, como acompanhamento de peixe.
Por diversas vezes a imprensa refere que o milho era o principal alimento do povo. E quase todo ele era importado do estrangeiro, ou das colónias: a ilha produzia uma ínfima parte daquilo que consumia. O milho era servido de diversas formas na mesa rural madeirense: papas de milho (cozido), milho escaldado (sopa) e estroçoado. Segundo o Diário de Noticias, do Funchal, de 4 de Setembro de 1941, “o milho é, há muitos anos, um elemento fundamental da alimentação das nossas classes menos remediadas. Barato, de fácil preparação e de forte poder alimentar, nenhum produto
da terra o pode substituir ou sequer igualar”. Dai, deverá ter resultado a expressão popular: “Vai-se ganhando para o milhinho...”.