quarta-feira, 8 de julho de 2009

Dourada com azeitonas


A dourada da Madeira é produzida em grande escala (cerca de 600 toneladas por ano), em cativeiro, nos mares do Caniçal e mais recentemente no Campanário. Apreciado pelas qualidades nutritivas, a dourada da Madeira é já comercializada no território nacional (através da cadeia Pingo Doce), em Espanha e na Venezuela. A sugestão que apresento, para duas pessoas, é económica, de fácil confecção e constitui uma excelente prato para ser consumido no Verão.

Ingredientes:
2 douradas
250 g de semilhas
70 g de toucinho fumado
50 g de azeitonas pretas
2 folhas de louro
1 copo de vinho branco seco
2 c. (sopa) de azeite
Sal e pimenta q.b.

Pré-aqueça o forno a 220 ºC. Coloque as douradas limpas e secas num tabuleiro. Descasque as semilhas, corte-as em rodelas finas e coza-as durante três minutos em água a ferver temperada com sal. Escorra-as e distribua-as no tabuleiro, sobre o peixe. Acresente o toucinho em tiras. Tempere com sal e pimenta e regue com o azeite. Leve ao forno por 10 minutos. Regue com o vinho, junte as azeitonas e as folhas de louro em pedaços. Deixe assar mais 15 minutos. Retire e sirva acompanhado com uma salada fresca de alface e tomate.

Bom apetite!

Salada de mariscos


Na Madeira os mariscos são sempre apreciados, mas no Verão assumem um especial período de degustação. A sugestão que apresento, para duas pessoas, é de fácil confecção e de equilíbrio calórico. Na reunião dos ingredientes, procure a melancia do Porto Santo, mais suculenta e saborosa do que as restantes vindas de fora também à venda nas superífices de distribuição alimentar.

Ingredientes:
200 g de camarão
1/4 de melancia
6 folhas de alface
1 talo de aipo
75 g de miolo de mexilhão cozido
maionese light
alho, pimenta, sal e salsa q.b.
Sumo de 1/2 limão

Adquira já o camarão cozido, descasque e reserve. Corte a melancia em cubos, sem as sementes e reserve. Envolva o camarão com o mexilhão e acrescente a melancia, o aipo cortado. Guarde no frio por alguns minutos. Enquanto isso, envolva a maionese com o alho esmagado e a salsa picada. Tempere com sal e pimenta e adicione o sumo de limão. Corte a alface em tiras e estenda numa saladeira, junte o preparado de camarão e sirva com a maionese temperada.

Opção: Pode substituir o aipo pelo pepino em pedaços.

Bom apetite!

sábado, 4 de julho de 2009

Bolo de maçã


Os amigos são para muitas ocasiões, até para nos adoçarem a alma. A minha amiga katucha enviou-me uma receita original que gostaria partilhar com os visitantes deste espaço. Como digo muitas vezes, um doce de vez em quando não é pecado. Mãos-à-obra e vamos provar esta saborosa iguaria.

Ingredientes:
250 grs de manteiga
250 grs de farinha
220 grs de açúcar(amarelo de preferência)
6 Ovos
75 grs de amêndoa laminada
3 maçãs reineta
canela q.b
4 c. (café) de Pó Royal
1 chávena de leite

Pré-aqueça o forno a 200ºC. Separe as claras das gemas. Bata a manteiga, que deve estar à temperatura ambiente, com o açúcar até ficar cremoso, junte as gemas e a baunilha. Em seguida junte o fermento à farinha e por sua vez junte esta ao preparado anterior, adicionando o leite pouco a pouco. Nota que o preparado deve ficar cremoso, mas não muito liquido pelo que, dependendo do tipo de farinha, deverá ser controlada a quantidade de leite. Bata as claras em castelo e envolva com o preparado anterior. Entretanto, descasque a maçã e corte em lâminas. Unte a forma com manteiga e farinha, e deite nesta metade da massa do bolo, disponha a maçã numa só camada, espalhe a amêndoa laminada e polvilhe com um pouco de canela. Deite por cima a restante massa espalhando uniformemente. Por fim polvilhe ligeiramente com canela e leve a cozer ao forno a 180ºC.

Nota: Fica muito bom, espalhar no final da cozedura e ainda com o bolo quente uma colher de sopa de manteiga, polvilhando em seguida com açúcar refinado.

Bom apetite!

terça-feira, 23 de junho de 2009

O milho na gastronomia madeirense (II)


0 milho era o alimento das classes pobres e a ausência da farinha atingia principalmente estes, por isso o articulista do DN apelava, em Agosto de 1943, às classes mais abastadas, que lhe reservassem este privilégio. «O milho é o alimento
das classes pobres, das classes populares(...) o milho, repetimos, é o alimento dos pobres. Assim aqueles que o podem dispensar, deixem-no aos pobres porque para as almas bem formadas, deve constituir amargura, provocar, impensadamente, as faltas de alimentação nos lares onde o dinheiro não abunda».
Mais tarde, no Inverno de 1945 em face de novas dificuldades as páginas do mesmo jornal abriram-se para expressar o grito plangente ecoado por todos os madeirenses em surdina. 0 Racionamento de 1 kg semanal por cabeça propiciou o seguinte comentário: «Não era bastante para as necessidades duma população que tinha afeito a sua economia doméstica ao consumo quase diário daquele produto (...), numa terra onde
o milho se podia chamar o pão-nosso de cada dia».
Nessa altura a Madeira tinha necessidade de importar anualmente 13.000 toneladas de milho.
Mas aqui, mercê da iniciativa da Comissão Regulador do Comércio de Cereais, a situação não foi tão gravosa como havia sucedido no decurso da Primeira Guerra. A política de intervencionismo económico definida por Salazar levou à criação em 1954 do grémio do milho colonial português e em 1958 surgiu a delegação madeirense da Junta de Exportação dos Cereais, que passou a coordenar todo o processo de abastecimento e fixação de preços do grão e farinha.
Foi responsável Ramon Honorato Rodrigues, que em 1962, no momento de extinção, publicou uma memória sobre os serviços prestados pela junta que presidiu. Por ai se ficou a saber das dificuldades sentidas nos anos da guerra e da acção da Junta e Governador Civil para solucionar a situação por meio do racionamento do
milho e da solicitação de carregamento à ordem do governo.
Para termos uma ideia das dificuldades basta-nos aludir à capitação estabelecida pelo racionamento e relacioná-la com a média anterior à guerra: entre 1937-39 ela foi de 123 kg/ano, enquanto de 1942-44 passou para apenas 80 kg. Mas houve anos em que a situação se agravou: por exemplo em Março e Abril de 1945 a ração semanal por cabeça era de apenas 550 gramas de milho. A partir de 1941 o racionamento foi determinado por concelho de acordo com o número de cabeças de casal, variando o quantitativo conforme os stocks disponíveis.
No último quartel do séc. XX, o milho branco escasseou nos mercados, sendo substituído pelo milho amarelo, menos apreciado, deixou definitivamente de ser a base da gastronomia madeirense, continuando até aos nossos dias a ser uma iguaria apreciada, mas cada vez mais rara à mesa.
Curiosamente, são os restaurantes que continuam a cozinhar o milho e a fritá-lo para gáudio dos comensais, residentes e turistas, sobretudo os apreciadores de espetada.

O milho na gastronomia madeirense (I)


Calcula-se que o consumo do milho ronde os 7000 anos, com origem na América Central, sabendo-se que as civilizações astecas, maias e incas, alimentavam-se e tendo no cereal uma relação de cunho religioso.
Reza a história que até o descobrimento da América, em 1492, os europeus desconheciam por completo a existência do milho. Quando Cristóvão Colombo levou apresentou algumas sementes de milho, terá causou grande sensação entre os botânicos de então.
Linneus, na sua classificação de gêneros e espécies, denominou-o por "zea mays", do grego "zeia" (grão, cereal), e em homenagem a um dos principais povos da América, os maias. Hoje, seu consumo abrange praticamente todas as partes do mundo.
Na Madeira, a entrada do milho na alimentação acompanha a tendência do resto do país até ao século XIX, visto até então a batata, a semilha, o ínhame e os cereais, mormente o trigo, constituírem a principal base alimentar da população.
Com a crise da semilha, em 1841, provocada pelo míldio, os madeirenses sentiram necessidade de promover uma cultura de substituição, optando pelo milho. A fome teve uma expressão significativa, obrigando as autoridades de então a enviar uma delegação a Cabo Verde com intuito de serem aprendidas técnicas de plantação em escala e na aquisição de algumas toneladas do produto.
O milho constituiu a partir dessa altura a base alimentar da maioria da população madeirense, pese embora, as famílias mais abastadas, apenas esporadicamente consumissem o milho, como acompanhamento de peixe.
Por diversas vezes a imprensa refere que o milho era o principal alimento do povo. E quase todo ele era importado do estrangeiro, ou das colónias: a ilha produzia uma ínfima parte daquilo que consumia. O milho era servido de diversas formas na mesa rural madeirense: papas de milho (cozido), milho escaldado (sopa) e estroçoado. Segundo o Diário de Noticias, do Funchal, de 4 de Setembro de 1941, “o milho é, há muitos anos, um elemento fundamental da alimentação das nossas classes menos remediadas. Barato, de fácil preparação e de forte poder alimentar, nenhum produto
da terra o pode substituir ou sequer igualar”. Dai, deverá ter resultado a expressão popular: “Vai-se ganhando para o milhinho...”.

sábado, 20 de junho de 2009

Feira das sopas decorreu na Boaventura


A freguesia de Boaventura acolheu no passado fim-de-semana mais uma edição da feira das sopas. O certame decorreu no centro da localidade com a participação de 15 barracas com sopas tradicionais.
O evento organizado pela Casa do Povo da Boaventura permitiu a milhares de pessoas, muitos turistas que aproveitaram para provar e degustar as sopas de couve, agrião, trigo, tripas, passando pela sopa de abóbora, de pedra até ao caldo de galinha e as maçarocas cozidas.
A abertura do certame contou com a presença do director regional da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Bernardo Araújo. A animação esteve a cargo da banda filarmónica Recreio Camponês, do Grupo Coral, Grupo de Instrumentos Tradicionais e Grupo de Acordeões da Casa do Povo de Boaventura.

Vinho Madeira promovido na bienal Vinexpo de Bordéus


O Vinho Madeira estará em promoção na Feira bienal Vinexpo que decorre a partir de domingo em Bordéus, na França, com o objectivo de aliciar potenciais importadores a nível mundial.
A Madeira estará representada neste certame integrada no espaço de Portugal, pelo Instituto do Vinho, Bordado e Tapeçarias, em conjunto com quatro empresas exportadoras desta tradicional produção regional.
Esta é considerada uma das mais importantes feiras internacionais para este sector, contando com a participação de mais de 2500 expositores, em representação de 45 países, entre os quais a China, Canadá, Rússia, Estados Unidos, Alemanha, França e
Japão.
A Índia, o Brasil, a Bielorrússia e as Ilhas Maurícias fazem a sua estreia neste evento de promoção de vinhos e bebidas espirituosas de todo o mundo.
A França ocupa o primeiro lugar na lista da exportação do Vinho Madeira, representando 35 por cento, com mais de 1,1 milhão de litros, o que significa receitas na ordem dos 3,4 milhões de euros.
Os franceses consomem sobretudo Vinho Madeira Doce (419 mil litros).
Nesta acção promocional no mercado francês a Madeira investe cerca de 12 mil euros, contando com a comparticipação de fundos comunitários na ordem dos 70 por cento, estando incluída na estratégia de internacionalização e consolidação desta produção
regional.