segunda-feira, 27 de abril de 2009

Madeira atenta à gripe suína


As autoridades de saúde da Madeira estão atentas ao evoluir da situação, decorrente da gripe suína que já matou mais de 20 de pessoas no México, tendo sido detectados casos nos Estados Unidos e em Espanha.
Em sintonia com a Direcção Geral de Saúde, o Governo Regional tem agendada para amanhã uma reunião com aquele organismo com intuito de serem acertadas medidas de prevenção para a doença.
Entretanto, o comité de urgência convocado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu que o aparecimento de um vírus da gripe suína transmissível de homem para homem representa "uma urgência em termos de saúde pública", revela a OMS em comunicado.
"O Comité considera que a situação actual constitui uma urgência em termos de saúde pública e uma preocupação internacional", refere a OMS.
Face a esta conclusão, a secretária-geral da OMS, Margaret Chan, recomendou que todos os países intensifiquem a sua vigilância dos casos invulgares de doença que se assemelhem a uma gripe ou uma grave pneumonia, adianta o comunicado.
A Organização Mundial de Saúde instaurou sábado uma "estratégia musculada" perante o "potencial pandémico" de um novo vírus de gripe suína que se transmite de homem para homem e já matou pelo menos 20 pessoas no México e nos Estados Unidos.
A situação "é séria", "imprevisível" e "evolui rapidamente", avisou a secretária-geral da OMS.
As autoridades norte-americanas alertaram sábado para a existência de novos casos de gripe suína no Kansas, assim como para a alta probabilidade de existir um surto num colégio de Nova Iorque onde oito estudantes deram resultados positivos para este vírus do tipo A (H1N1).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Sá e Insular promovem Feira do Pão


Porque “Pão é Saúde”, o Grupo Sá em parceria com a empresa Insular promovem a partir de hoje e até domingo, a “Feira do Pão”, na qual serão apresentados e divulgados vários tipos de pão.
No âmbito desta iniciativa, na loja do Sá de São Martinho, estão previstas um conjunto de actividades sobre o pão e durante os 3 dias da feira todos os clientes Sá estão convidados a dirigirem-se à sessão da Padaria e a presenciar ao vivo o fabrico do pão, bem como a degustar diferentes variedades: pão de centeio, pão de grainha de uva, pão de milho e pão multi-cereais são algumas das opções. Hoje, às 17h30 e 19 horas e no sábado às 10 e 11 horas, ainda nesta loja, irão realizar-se em espaço próprio sessões, sob a temática do pão: “O pão na alimentação saudável”, liderado pela Drª. Mónica Faria (Nutricionista); e “Os cereais, a farinha e o pão”, liderada pela Engª. Constança Carvalho (Gestora de Qualidade).
Cada sessão tem a duração de 30 minutos e está limitada à participação de 50 pessoas.
Estará também patente no local uma exposição fotográfica sobre os 80 anos do Grupo Insular.

Vitela assada


Tenra e fácil preparar, a carne de vitela pode ser encontrada em qualquer talho, proporcionando pratos deliciosos como a sugestão aqui apresentada. Depois de confeccionado pode ser guardado em recipiente próprio em frio por alguns dias ou congelado por um mês.

Ingredientes:
1 kg de vitela
2 dl de azeite
1 c. (chá) colorau
1 ramo de salsa
1 folha de louro
1 c. (café) piripiri
1 cebola
3 dentes de alho
1 dl de vinho branco verde
2 c. (sopa) de banha
100 g de toucinho
sal q.b.

De véspera corte a carne aos pedaços regulares. Faça uma marinada com o azeite, o colorau, salsa, louro, piripiri, a cebola e os alhos cortados aos pedaços, o vinho, a banha e o sal. Coloque a carne a marinar na mistura de um dia par o outro. No dia da confecção, escorra a carne do líquido da marinada, reservando-o, e coloque-a numa assadeira. Preencha os espaços entre a carne com semilhas pequenas inteiras e descascadas. Regue tudo com a marinada, adicione o toucinho cortado em pedaços, e leve a assar em forno bem quente durante cerca de duas horas e meia. Uma hora e meia depois de ter colocado a assadeira no forno, vire a carne e regue com o molho. Sirva com legumes cozidos.

Bom apetite!

terça-feira, 21 de abril de 2009

Engenhos começaram a produzir mel de cana-de-açúcar



A Fábrica Mel-de-Cana Ribeiro Sêco, fundada em 1883 e desde 1935 a produzir mel de cana, começou no passado dia 19 de Abril a sua produção relativa a este ano.
A previsão de entrada de cana-de-açúcar nesta unidade fabril será entre 800 a 900 toneladas, sendo o preço a praticar por quilo de 25 cêntimos.
Pese embora, este ser considerado um bom ano de cultivo da cana-de-açúcar, a gerência da fábrica Ribeiro Sêco considera que será possível satisfazer todos os habituais fornecedores, ficando a promessa de acolher a todos no próximo ano.
A fábrica faz ainda questão de agradecer a todos os agricultores, já que sem eles não seria possível efectuar mais uma produção de mel de cana genuíno, um produto sem aditivos, corantes ou conservantes, e essencial para o verdadeiro bolo de mel da Madeira, entre outras aplicações na gastronomia e na doçaria regional.
A administração da fábrica agradeceu ainda aos «fieis consumidores», esperando que este seja mais um ano para manter qualidade, sabor e tradição do mel de cana-de-açúcar.
Nos últimos oito anos a produção de cana-de-açúcar aumentou 108 por cento, passando de 2.871 toneladas em 2000 para 5.966 toneladas, em 2008.
Para o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, «desde 1984 que a Madeira não produzia tanta cana e isso resulta dos estímulos que têm sido dados ao sector, particularmente uma fortíssima valorização do preço pago ao produtor».
Dados estatísticos revelam que o valor pago à produção do sector aumentou 285 por cento, de 2000 para 2008, passando de 387 mil euros para 1,4 milhões de euros. O rendimento médio por produtor subiu igualmente, no mesmo período, em 215 por cento, passando de 595 euros para 1.881 euros.
Segundo Manuel António o crescimento dos sector deve-se ao facto de «os agricultores só apostarem naquilo que dá mais rendimento», pelo que só nos últimos cinco anos «houve perto de 40 projectos de investimento no sector da cana sacarina, com apoios comunitários».
A certificação com garantia de qualidade e genuinidade do mel de cana, bolo de mel e broas de mel, levou o governante a reiterar o apelo aos madeirenses para o consumo dos mesmos.
Manuel António Correia anunciou na abertura da laboração da Fábrica Ribeiro Sêco, duas medidas que irão beneficiar o sector da cana-de-açúcar: a redução do IVA do mel e a criação de uma linha de crédito.
O IVA aplicável ao mel de cana passa dos actuais 14 para 4 por cento. Manuel António Correia disse que esta descida de 10 por cento entra em vigor no próximo dia 1 de Maio.
O governante salientou que a redução do IVA não é da competência do Governo Regional e que esta quebra se deve à apresentação de uma proposta da Direcção Regional de Agricultura à Administração Fiscal para que o mel de cana fosse integrado nos produtos que sofrem uma primeira transformação, os quais estão sujeitos a uma taxa de IVA de 4 por cento. A proposta foi aceite.
Manuel António Correia anunciou também que o Governo Regional criou uma linha de crédito de 1,5 milhão de euros para ajudar os empresários dos engenhos a pagar mais cedo aos produtores de cana-de-açúcar.

domingo, 19 de abril de 2009

Queijinhos frescos gratinados com abóbora glaceada em mel de cana


A Fábrica de Mel do Ribeiro Sêco entra na próxima semana em laboração, decorrendo já a apanha da cana-de-açúcar na costa sul da Madeira. Na IV Feira da Cana-de-Açúcar que decorre até hoje na freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol, é possível encontrar algumas iguarias da doçaria e licoraria regional em stands da fábrica de mel e da sua congénere da Calheta. Ontem, na abertura do certame o secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais, Manuel António Correia, teve a oportunidade de apreciar algumas das novas receitas com mel de cana, inserto no livro do chefe Octávio Freitas, cuja sugestão aqui apresentada permite elaborar a iguaria para duas pessoas. Não obstante ser um defensor da gastronomia tradicional e típica, aprecio a inovação desenvolvida e o arrojo criativo levado a cabo no receituário madeirense. Chefes de cozinha como Yves Gautier, Octávio Freitas, Júlio Pereira e Amândio Gonçalves, merecem todo o meu respeito e admiração.

Ingredientes:
100 g de abóbora amarela
100 g de batata doce
2 unidades de queijos frescos da Madeira
2 c. (sopa) de mel de cana
6 morangos
Sementes de laranja q.b.
Sementes de abóbora q.b.
Flor de basílico q.b.
Sal e pimenta branca q.b.
azeite

Coloque a batata doce e a abóbora a assar no forno a 180 ºC, durante 35 minutos. Disponha em camadas a abóbora, a batata doce e os queijinhos frescos. Leve ao forno a gratinar cinco minutos a 220ºC. Junte numa caçarola o mel de cana com os morangos aos cubos e deixe cozinhar por 10 minutos em lume brando. Emprate começando com a batata, a abóbora e por último o mel com os morangos, guarnecendo com sementes de laranja, de abóbora e flor de basílico.

Sugestão: Para acompanhar, quanto mais cremoso for o queijo, mais acidez o vinho deve conter.

Bom apetite!

sábado, 18 de abril de 2009

IV Feira da Cana-de-Açúcar


O evento organizado pela Casa do Povo da Ponta do Sol, com o apoio da autarquia local, conta com muitas acções, de entre as quais se destacam a venda de produtos derivados da cana sacarina, com dois stands da Sociedade de Engenhos da Calheta e da Fábrica de Mel do Ribeiro Sêco, além de uma palestra sobre “Boas Práticas Agrícolas na Cultura da Cana-de-Açúcar” decorrida hoje.
Para amanhã, está agendado um Concurso Gastronómico de Restaurantes do Concelho da Ponta do Sol, intitulado “Cana com Gosto”, às 12h30, cujo presidente do júri é o Chefe Yves Gautier.
Mais tarde, pelas 16 horas, terá lugar a demonstração e degustação de uma receita com mel de cana, pelo Chefe Octávio Freitas, autor do livro de receituário lançado pela Fábrica de Mel do Ribeiro Sêco.
Ainda para amanhã o programa festivo prevê a apanha da cana-de-açúcar com a participação de turistas, logo pelas 10 horas, e em destaque a partir das 15h30 a actuação do grupo de acordeões da Casa do Povo da Ponta do Sol.
As actuações dos conjuntos musicais “Canta Comigo” e “banda Fixe” encerram a IV Feira Regional da Cana-de-Açúcar.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Madeirenses em concurso de gastronomia no Algarve


A Escola Profissional de Hotelaria e Turismo da Madeira participa pela quarta vez, entre amanhã e domingo, no Algarve, num concurso internacional de cozinha, este ano dedicado ao tema "Gastronomia, Saúde e Desportos Motorizados".
Os três alunos participantes terão de fazer um menu de quatro pratos e um buffet saudável para 10 pessoas, equilibrado e em que os nutrientes são estudados e trabalhados para o tipo de desporto proposto. A apresentação da ementa deverá conter informação nutricional das iguarias e o azeite deverá ser o ingrediente em destaque.
A equipa da Escola de Hotelaria da Madeira é composta pelos alunos do 3.º ano do curso de Cozinha/Pastelaria, Melânia Vieira e Emílio Barros e pela aluna do 3.º ano do curso de Restaurante/Bar, Diana Khakimulina. Será orientada pela sub-chefe de cozinha e monitora Clarisse Quintal e acompanhada pela directora pedagógica da Escola, Filomena Crisóstomo. No âmbito do concurso será também apresentada uma mesa com produtos regionais que possam ser utilizados na confecção do buffet e menu fixo.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Tradições da Páscoa



A tradição religiosa de celebrar a Páscoa, assemelha-se um pouco por todo o país, mas é em termos culturais e gastronómicos que se acentuam as diferenças. Por cá, a tradição leva à mesa um receituário tradicional, à base de carne, com predominância para o cabrito guisado e para a carne Santa (porco) de peixe, com destaque para o bacalhau assado, e para uma doçaria na qual predominam os torrões de açucar com frutas. A herança cultural gastronómica da Madeira foi beber na sabedoria conventual a utilização da amêndoa para a confecção de saborosas iguarias à base deste fruto, nomeadamente os bolos e doces, possíveis de encontrar apenas em algumas casas. De resto, e por influência directa das grandes superfícies que nos últimos anos, se instalaram na Madeira, os madeirenses têm vindo a adoptar novos costumes na confecção de alguns pratos.
No resto do país, sobretudo no norte, pontuam os folares, como um dos principais rituais da Páscoa. Esta iguaria, à base de farinha, aproxima-se da confecção do pão, reflecte a diversidade de uma região de terra farta e rica e de ocupação humana grande. Ali comem-se folares doces e folares gordos. Por exemplo, em Vila do Conde e na Maia, o folar doce, designa-se por pão-doce ou mesmo por broinhas. Na Madeira, temos o bolo doce, iguaria tradicional da Ponta do Sol, que se aproxima do pão-doce por recorrer em grande parte aos mesmos ingredientes, nomeadamente a erva-doce.
No roteiro gastronómico da Páscoa é possível encontrar diversas formas de apresentação do folar, em Oliveira de Azemeis. Nesta localidade o folar assume a forma de uma galinha deitada sobre uma noz ou de duas, bico com bico, cobrindo dois figos passados.
Já em Trás-os-Montes, terra dura e áspera o folar doce é raro, dando lugar ao folar gordo, de carne. Trata-se de uma bola feita à base de farinha, ovos e carne de porco ou outras carnes. Na Madeira não há tradição de fazer bola de pão com carne.
No Minho e no Grande Porto, o pão-de-ló substitui o folar, cujo receituário fica muito próximo do bolo feito em Sao Vicente e no Porto Santo. Na região minhota e alto duriense o costume pascal inclui comer carne de bovino e frango, assado na assadeira grande, de barro vidrado de Barcelos, vindo depois, à sobremesa, o pão-de-ló de Margaride e as amêndoas. Próximo à fronteira com Espanha fazem-se os borrachos, que são fritos com base em pão ralado, açúcar, ovos e canela.
Na Região centro, nas Beiras, o folar é comum em quase toda a região. O bolo de massa seca, condimentado com canela e erva-doce, é encimado por um ou vários ovos cozidos inteiros. Nesta região surgem ainda os Bolos da Páscoa. Na Covilhã, ganham o nome de empenadinhas da Páscoa. Noutras regiões encontram-se as broinhas e os bolos ou pão de azeite.
Já na beira Litoral, a carne está representa na chanfana, nomeadamente em Coimbra, ou no leitão assado, naturalmente aproveitado para festejar a época.
Na região Sul, apresentam-se os folares alentejanos. Próximo a Elvas, os folares apresentam formas de animais, representando borregos, lagartos, pintainhos e pombos. Por seu turno, no Alto Alentejo, em Castelo de Vide, o folar assume a forma de um duplo coração recamado de ovos e decorado com motivos feitos da mesma massa. Um grande lagarto, com coleira de seda encarnada e lacinho igual na cauda.
Na mesa predominam as carnes. O cordeiro, mais conhecido por borrego no Alentejo, aparece em todo o país.
De resto, em termos religiosos, na Diocese do Funchal, os domingos que antecedem a festa do Pentecostes, são marcados pelas visitas pascais, que também são denominadas de visitas do Espírito Santo. Aqui, têm ritos próprios que, contudo, podem variar consoante as tradições das respectivas paróquias, mas cujos símbolos são idênticos em todas as comunidades. Acompanhando também os elementos que efectuam as visitas pascais, vão as “saloias” meninas com trajes típicos madeirenses e que interpretam cânticos alusivos ao Espírito Santo. Transportam cestinhos com flores que também servem para recolher os doces e outras guloseimas que lhes são oferecidas. Há localidades em que o grupo é acompanhado por instrumentos musicais.
Os objectivos destas visitas são, entre outros, levar a alegria pascal, anunciando Jesus Ressuscitado, abençoar as famílias, manter uma presença da Igreja no ambiente familiar e proporcionar um melhor conhecimento da realidade paroquial.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Segurança alimentar


Como podemos saber que os alimentos disponíveis no mercado são nutritivos, seguros e saborosos? Esta é uma questão que diariamente é colocada por muitas pessoas, porém a resposta nem sempre é dada de forma clara e objectiva.
Com esta reflexão, espero poder elucidar os visitantes deste blogue para a questão da segurança alimentar, alicerçada nos conhecimentos que tenho enquanto jornalista, gastrónomo e cidadão, minimamente informado da matéria em apreço.
Não há dúvidas de que queremos ter a certeza que os alimentos disponíveis para a nossa alimentação são de confiança. Porém, as últimas crises alimentares como a doença das vacas loucas, os nitrofuranos, as dioxinas ou a mais recente contaminação do leite com melamina, contribuíram para reduzir a confiança dos consumidores relativamente à segurança dos alimentos que consomem no seu dia-a-dia.
Há dias li num artigo assinado pela coordenadora do departamento de formação da DECO, Fernanda Santos, que sempre existiram riscos associados ao consumo de alimentos que, de uma forma geral, eram bem conhecidos, imediatos e com consequências para a saúde, limitadas no espaço e no tempo.
Hoje, resultado dos modos de produção, da contaminação ambiental e de uma longa cadeia alimentar com diversos intervenientes, os riscos alimentares assumem uma nova e preocupante dimensão.
Em diversos estudos realizados sobre esta problemática, os consumidores revelam uma grande dificuldade em distinguir os diferentes tipos de riscos alimentares, mas tendem a preocupar-se mais com aqueles que são causados por factores externos e que não controlam. No topo das suas preocupações surgem os resíduos com pesticidas, os novos vírus (gripe das aves), os resíduos da carne e a contaminação microbiológica.
Num outro estudo, realizado em 2005, pela extinta Agência Portuguesa para a Segurança Alimentar, a percepção relativa à gravidade dos diferentes riscos alimentares, depende de factores, nomeadamente o grau de conhecimento acerca dos mesmos e a forma como a comunicação social aborda o tema e o tempo que lhe destina.
Não foi por acaso que a BSE (vacas loucas) foi apresentado pelos consumidores como o mais grave, decorrente das notícias e do seu impacto nas pessoas, mesmo sendo poucos os casos conhecidos de morte nos humanos. Nesta situação os consumidores alteram na generalidade os seus hábitos, evitando ou mesmo rejeitando o consumo dos alimentos de risco. É um facto que com a perda de interesse por parte da comunicação social, retomam os seus antigos hábitos alimentares.
Estou de acordo com aqueles que defendem que, uma das formas de garantir a confiança dos consumidores, passa por transmitir mensagens cientificamente válidas, apropriadas, consistentes e veiculadas em tempo útil aos consumidores.
Esta reflexão leva-me a aconselhar o consumo de produtos agrícolas e agro-alimentares tradicionais, por norma caracterizados pela sua qualidade, autenticidade e sabor. Neste contexto, assume capital importância a fiscalização por parte das entidades que têm responsabilidade nesta matéria, a quem compete detectar e actuar na salvaguarda da protecção da saúde dos consumidores.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Borrego assado


A Páscoa é uma quadra festiva que merece uma mesa rica e saborosa. O povo na sua sabedoria popular diz: "Depois do jejum, venha um borrego". A opção pelas carnes conhecidas e tradicionais, valorizam a escolha de quem quer receber familiares e amigos com requinte, mas sempre com o toque diferente e bem pessoal. Peça no seu talho habitual uma perna de borrego para assar. A sugestão que apresento é simples e permite servir quatro pessoas.

Ingredientes:

1 perna de borrego
2 cebolas
4 dentes de alho
150 g de toucinho fumado
1 kg de semilhas
1 dl de vinho branco
1 c. (sopa) de massa de pimentão
1 ramo de alecrim
1 c. (sopa) vinagre
sal e pimenta q.b.

Começe por dar alguns golpes superficiais na pele da perna de borrego, marcando-o em xadrez. Tempere com sal e pimenta, a massa de pimentão diluída no vinho e o raminho de alecrim. Deixe a marinar até ao dia seguinte. No dia da confecção, coloque o cabrito num tabuleiro junto com as cebolas, alhos e o toucinho fumado aos pedaços, regue com o azeite e leve a assar a 200 ºC até 45 minutos. Ao mesmo tempo coza as semilhas com a pele, durante 25 minutos em água temperada com sal. Depois de cozidas, escorra-as, pele-as e junte logo ao assado, deixando-as no forno durante os 20 minutos finais. Retire depois do calor, salpique com o vinagre e transfira para a travessa de servir. Leve à mesa enfeitado com um ramo de alecrim fresco e as semilhas.

Bom apetite!

Doce de amêndoas


Rica em proteínas, vitaminas E, B1, potássio, fósforo, zinco, magnésio, fibras e gordura do tipo insaturada, sendo a maior parte monoinsaturada, que associada a uma dieta saudável, podem ajudar a controlar as taxas do colesterol. É por isso um fruto que desempenha um papel importante na regulação da tensão arterial, no equilíbrio dos fluídos do corpo e na contracção muscular. Os nutricionistas aconselham o consumo de amêndoas por desempenhar na formação molecular do ADN e ao nível da transmissão neuromuscular, e ainda, na função imunitária e reprodutiva. Esta sugestão para a Páscoa, deve ser consumida com moderação.

Ingredientes:

2 dl de água
400 g de açúcar
150 g de miolo de amêndoa
12 gemas
Canela q.b. (facultativo)

Leve ao lume uma panela com a água e o açúcar. Deixe ferver, por aproximadamente dois minutos e, só depois, acrescente o miolo de amêndoa moído e torrado, reservando alguns frutos para decorar no final. Misture bem e aguarde que levante fervura. Por último adicione as gemas, uma a uma, tendo o cuidado de ir mexendo sempre em cada adição. Após ferver e ganhar consistência, retire do lume e transfira para uma taça de vidro. Deixe arrefecer por completo e sirva decorado com o miolo de amêndoa pelado e polvilhado ligeiramente com canela em pó.

Bom apetite!

Torrões de açúcar


Visíveis em todas as pastelarias e confeitarias do Funchal, os tradicionais torrões constituem uma das principais imagens da doçaria madeirense na quadra da Páscoa. Fáceis de fazer, os torrões podem apresentar diversas tonalidades, bastando para tal variar a fruta.

Ingredientes:
1 kg de açúcar
1/2 l de leite
125 g de manteiga
2 colheres de chocolate em pó
Frutas secas: nozes e cidra.
1 chávena de côco

Junte ao leite o açúcar e metade da manteiga, leve a ferver mexendo sempre. Junte depois o côco com o resto da manteiga e as frutas moídas.
Fazer ponto de escada. Quando o açucar estiver esbranquiçado deitar num pirex previamente untado de manteiga. Cortar logo aos quadrados, enquanto estiver quente.

As cores podem ser conseguidas (em vez de chocolate) com polpa de fruta, nomeadamente de pitanga, morango, maracujá, laranja e miolo de amêndoa.

Bom apetite!

Cabrito guisado com vinho e canela


É um dos pratos tradicionais da Madeira e é muito apreciado nesta quadra da Páscoa. A sua confecção é facilitada seguindo os passos que aqui apresento. Trata-se de uma receita recolhida pela Confraria Gastronómica da Madeira e publicada no livro "Sabores", da autoria de Júlio Pereira.

Ingredientes:
1,2 kg pá de cabrito
3 cebolas
3 tomates
5 dentes de alho
1 l de vinho tratado
2 paus de canela
2 c. (sopa) de banha
1 ramo de alecrim
sal e pimenta da terra q,b.

De véspera tempere o cabrito com sal, pimenta, os alhos esmagados, a canela partida em pedaços, alecrim e o vinho. No dia seguinte, faça um refogado com a banha, a cebola e o tomate picado. Junte depois a carne e deixe estufar por 10 minutos. Passado esse tempo adicione a marinada do vinho e deixe estufar, em lume brando, por mais 50 minutos. Se necessário, durante a cozedura, acrescente mais um pouco de água. Por fim, rectificque os temperos e sirva, com semilhas e legumes cozidos.

Bom apetite!

A Páscoa e a gastronomia madeirense


A maioria da população da Madeira é cristã e, como tal, festeja a Páscoa como a celebração mais importante no calendário religioso. De facto, a Páscoa representa a data da Ressurreição de Cristo, um domingo dedicado às cerimónias religiosas e à família.
A palavra Páscoa vem do hebraico, Pessach. O dia corresponde sempre ao primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia 21 de Março ou depois (data do equinócio), o que torna o Carnaval móvel, situando-se a 47 dias antes da Páscoa.
Em termos de imagem de marca desta festividade, o coelho continua a ser uma referência por representar a imagem da fertilidade. Como esta quadra representa o renascimento, o coelho acaba por ser a figura mais apropriada.
Por outro lado, os ovos adquirem também um lugar de relevo, estando associado como símbolo da Páscoa, por decisão da Igreja, desde o século XVIII. Ao serem pintados, adquirem um colorido representativo da luz solar e personificam uma nova vida. Esta tradição nasceu na China e, depois com a morte de Jesus Cristo, os cristãos consagraram esse hábito como lembrança da Ressurreição.
Sendo uma festa para ser celebrada em família, nada como aliar o festejo a uma mesa diferente, apelativa e com uma gastronomia apropriada, na qual não faltam os doces tradicionais.
Depois de 40 dias de privação de determinados alimentos, é chegada a hora de "tirar a barriga de misérias". A ementa da Páscoa, na Madeira, apresenta iguarias saborosas e suculentas, para uma degustação sem pressas, para que o convívio dure algumas horas.
Esta é altura para se deliciar com uma entrada de filetes de peixe-espada com uma salada fresca, seguido de um cabrito guisado com vinho e canela à boa maneira da Ponta do Sol, servido com semilhas cozidas e legumes. Pode optar por uma carne santa do Porto Moniz ou cabrito assado à boa maneira do Funchal.
Para sobremesa pode optar por um doce de amêndoas, um pudim de ovos ou simplesmente por um pão-de-ló de São Vicente.

Estas receitas estão disponíveis neste blogue.

Boas Páscoas e bom apetite!

domingo, 29 de março de 2009

Frango com funcho


O funcho foi a planta que pela sua abundância deu o nome ao Funchal, aquando da descoberta da Madeira em 1419. Na doçaria madeirense o funcho é utilizado na confecção de rebuçados, muito apreciados pelo seu aroma característico, enquanto na culinária, a planta utilizada como condimento, auxilia a digestão do alimento que será ingerido. A sugestão que apresento, para duas pessoas, é de fácil confecção.

Ingredientes:
2 peitos de frango
50 g de toucinho
1 cebola pequena
1 dentes de alho
1 ramo de funcho
1 lata pequena de cogumelos fatiados
2 tomates maduros
1 c. (chá) de molho inglês
0,5 dl de vinho tinto
Sal e pimenta q.b.

Aloure os peitos de frango em azeite com o toucinho cortado em tiras finas e reserve. No mesmo tacho deite a cebola cortada às rodelas finas, o alho esmagado e o funcho cortado finamente e deixe cozinhar em lume brando por alguns minutos. Adicione os cogumelos escorridos e deixe cozinhar mais alguns instantes. Junte o tomate cortado aos cubos, o molho inglês, o vinho tinto e tempere com pimenta e o sal. Coloque a carne num tabuleiro, envolva com o preparado anterior e leve ao forno pré-aquecido a 190 ºC até a carne ficar tenra. Sirva com semilhas cozidas e legumes.

Bom apetite!

quinta-feira, 19 de março de 2009

Pão-de-ló do Porto Santo


No nosso país, existem muitas formas de confeccionar o pão-de-ló, alterando pouco de região para região, conhecendo-se receitas de finais do séc. XVII. No Porto Santo, a confecção do pão-de-ló resulta num sabor único. Esta é uma receita da gastronomia tradicional madeirense.

Ingredientes:
250 g de açúcar
250 g de farinha
8 ovos
7 gemas
1 c. (chá) de fermento em pó
raspa de um limão
0,5 dl de aguardente de cana sacarina

Ligue o forno a 200 ºC e unte uma forma redonda com manteiga. Forre-a com papel vegetal, que também deve ser untado e reserve. Misture então as gemas com o açúcar e bata com o auxílio de uma batedeira, até obter um creme esbranquiçado. Depois adicione a raspa do limão, a farinha e o fermento em pó. Envolva tudo muito bem. À parte, levante as claras em castelo e envolva-as ao preparado anterior. Por fim, misture a aguardente. Verta para a forma e leve ao forno por cerca de meia hora.

Bom apetite!

Sopa de lentilhas


A ilha do Porto Santo já foi o principal produtor de cereais do arquipélago da Madeira. No início do século XX, produziam-se em quantidades razoáveis, trigo, cevada, centeio e lentilhas. Razão pela qual, a sua gastronomia seja complementar à da restante Região. A sugestão que apresento constitui um prato tradicional do Porto Santo e fez parte do receituário recolhido pela Confraria Gastronómica da Madeira.

Ingredientes:
200 g de lentilhas
350 g de carne de vaca com osso
300 g de abóbora
200 g de semilhas
2 cenouras
5 dentes de alho
2 cebolas
50 g de macarronete
sal q.b.

De véspera demolhe as lentilhas em água fria. No dia seguinte, coloque uma penela ao lume com três litros de água temperada com sal, as cebolas, a carne e as lentilhas. Deixe cozinhar por uma hora. Passado o tempo junte a cenoura, a abóbora e as semilhas tudo cortado em cubos e deixe ferver. Decorridos 20 minutos adicione o macarronete e deixe ferver por mais 10 minutos. Rectifique os temperos e sirva.

Bom apetite!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Gastronomia tradicional é saudável


Ainda há poucos dias um colega de profissão perguntava-me se a gastronomia tradicional ou típica acompanhava os princípios de uma alimentação saudável, rica e diversificada, como hoje os nutricinistas advogam, sobretudo pelos hábitos de vida que as pessoas adoptaram.
Respondi que sim, desde que essa gastronomia seja confeccionada com os produtos tradicionais da região, admitindo alguma inovação e diversificação, até para facilitar a confecção de pratos seculares que ainda é possível encontrar na Madeira e consumido em doses moderadas.
As dezenas de sopas de legumes e de peixe, os caldos, a espetada de carne de vaca ou porco, os assados de galinha, os cozidos e as frutas madeirenses, são elementos gastronómicos ricos em nutrientes, mas que que, infelizmente, durante muitos anos, apenas chegavam á mesa das famílias mais abastadas da Região.
Infelizmente, ainda temos uma larga maioria de restaurantes que apresentam a mesma lista de pratos há muitos anos sem apostar na gastronomia tradicional, o que é cansativo não só para os locais como para quem nos visita, pois não ouvem falar nem de inovação nem de diversificação.
Como gastrónomo assumido, defendo cada vez mais o recurso regular dos produtos tradicionais da Madeira, procurando uma gastronomia de qualidade, simples, mas diversificada, acessível a todos, tal como procuro desenvolver neste blogue.
Sou apenas um autodidacta da cozinha. Não sou chefe de cozinha, nem tenho qualquer formação específica nessa área, mas porque sou um gastrónomo, entusiasta na matéria, de certa forma "investigador de sabores", defensor da "cozinha de autor", na qual cada um, à sua maneira, procura fazer alguma coisa de novo pela gastronomia, sem perfilar caminhos em que apenas os olhos comem, mas o estômago fica queixoso, faço esta reflexão com os meus visitantes neste espaço.
Quantos dos que estão a ler estas linhas, já comprararam ou receberam de oferta livros de culinária, assinados por grandes nomes da cozinha nacional e internacional, mas que depois, na prática, não servem para nada. Desde logo porque alguns ingredientes não se encontram disponíveis nas prateleiras dos supermercados, ou porque o modo de preparação é difícil, ou mesmo porque a linguagem não é entendível, entre outras razões.
Defendo que a confecção de refeições deve ser simples, doseada conforme as necessidades e os gostos de cada qual. Já repararam que são poucos os livros ou receitas que se adaptaram ao facto de hoje, centenas de milhares de pessoas viverem sós ou coabitarem apenas com mais uma pessoa.
Voltemos à gastronomia tradicional e saudável. Sou defensor da ideia de que na Madeira, tal como nos Açores, em Canárias e em Cabo Verde, é praticada a dieta Atlântica, herança em parte da cultura gastronómica da dieta Mediterrânica, candidata a património da UNESCO.
É nesta diferença que nos distinguimos do continente e do restante espaço europeu em termos gastronómicos. É mais aquilo que nos aproxima na região Macaronésia, sobretudo na confecção de alguns pratos e no recurso a determinados ingredientes. Este será ainda um dos meus assuntos de reflexão neste blogue, visto já ter participado como orador, em conferências sobre o tema, nos Açores e na Madeira.

terça-feira, 17 de março de 2009

A roda dos alimentos

A Roda dos Alimentos é uma imagem ou representação gráfica que ajuda a escolher e a combinar os alimentos que deverão fazer parte da alimentação diária. É um símbolo em forma de círculo que se divide em segmentos de diferentes tamanhos que se designam por grupos e que reúnem alimentos com propriedades nutricionais semelhantes, como demonstra a imagem.
A Roda dos Alimentos Portuguesa foi criada já em 1977 para a Campanha de Educação Alimentar “Saber comer é saber viver”. Apresentava então cinco grupos.
A evolução dos conhecimentos científicos e as diversas alterações na situação alimentar portuguesa conduziram à necessidade da sua reestruturação.
A nova Roda dos Alimentos agora apresentada mantém o seu formato original, pois este é já facilmente identificado e associa-se ao prato vulgarmente utilizado. Por outro lado, e ao contrário da pirâmide (utilizada em diversos países com culturas gastronómicas diferentes), o círculo não hierarquiza os alimentos, mas atribui-lhes igual importância.
A subdivisão de alguns dos anteriores grupos e o estabelecimento de porções diárias equivalentes constituem as principais alterações implementadas neste novo guia. A nova Roda dos Alimentos é composta por sete grupos de alimentos de diferentes dimensões, os quais indicam a proporção de peso com que cada um deles deve estar presente na alimentação diária: Cereais e derivados, tubérculos - 28 por cento, Hortícolas – 23 por cento, Fruta – 20 por cento, Lacticínios – 18 por cento, Carnes, pescado e ovos – 5 por cento, Leguminosas – 4 por cento, Gorduras e óleos – 2 por cento.
A água, não possuindo um grupo próprio, está também representada em todos eles, pois faz parte da constituição de quase todos os alimentos. Sendo a água imprescindível
à vida, é fundamental que se beba em abundância diariamente. As necessidades de água podem variar entre 1,5 e 3 litros por dia.
Cada um dos grupos apresenta funções e características nutricionais específicas, pelo que todos eles devem estar presentes na alimentação diária, não devendo ser substituídos entre si. Dentro de cada grupo estão reunidos alimentos nutricionalmente semelhantes, podendo e devendo ser regularmente substituídos uns pelos outros de modo a assegurar a necessária variedade.

Salada de frango


As saladas constituem excelentes pratos para quem quer manter uma alimentação saudável. As carnes magras das aves, os vegetais frescos e crus e as massas formam um prato rico em vitaminas e hidratos de carbono. Tudo isto torna-se insuficiente se não praticar exercício físico, visto ser esse o principal problema da sociedade actual, demasiado sedentária. Para um quarentão como eu, há que ter a noção de que com a idade, o metabolismo torna-se preguiçoso e há que reduzir gradualmente a quantidade de calorias que se ingere. A sugestão que apresento dá para duas pessoa.

Ingredientes:

75 g de massa tricolor
2 peitos de frango pequenos
1 cenoura
1 dente de alho
1 tomate
4 folhas de alface
2 c. (chá) de passas
1 limão
azeite q.b.
sal q.b.

Começe por cozer a massa em água abundante, temperada com sal e um fio de azeite. Depois de cozida, escorra-a e deixe arrefecer. Entretanto, grelhe os peitos de frango, temperados com sal e alho. Enquanto isto, transfira a massa para uma saladeira e acrescente a cenoura raspada, o tomate aos cubos e a alface em juliana. Corte os peitos de frango aos cubos e junte à salada, tempere com o sal, o azeite em fio e o sumo de limão. Sirva polvilhado pelas passas.

Bom apetite!