sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Malassadas à D. Madalena


O carnaval madeirense é vivido intensamente pela população, nomeadamente pelos cortejos alegóricos um pouco por toda a ilha, organizado pelas casas do povo, juntas de freguesia e câmaras municipais. A Secretaria do Turismo aposta no cortejo de sábado à noite no qual desfilam pelas ruas do Funchal cerca de 1500 figurantes, num desfile que já constitui cartaz da Região. O tradicional carnaval "trapalhão" de terça-feira, cativa milhares de pessoas, pela sátira e crítica social que emprega. Em termos gastronómicos, falar de carnaval é sinónimo de malassadas. A sugestão que aqui deixo foi confeccionada hoje pela D. Madalena, para sobremesa do almoço dos funcionários do Jornal da Madeira. Uma delícia que deve ser regada com um fio de mel de cana de açucar produzido na fábrica do Ribeiro Sêco.

Ingredientes:
1 kg de farinha
1/2 kg de batata doce cozida
8 ovos
1/2 l de leite
2 c (sopa) de açucar
100 g de fermento de padeiro
2 c. (sopa) de Vinho Madeira
Raspa de meio limão
1 c. (chá) de sal

Envolva a farinha com o fermento bem desfeito em água morna e adicione a batata doce, previamente esmagada com um garfo. Acrescente o leite, sem parar de mexer e adicione um ovo de cada vez. Por fim o Vinho Madeira, o açucar, a raspa de limão e o sal. Bata tudo muito bem e deixe a massa levedar por meia hora. Aqueça o óleo e frite a massa às colheradas até alourar. Retire e coloque as malassadas sobre papel absorvente e sirva com mel de cana de açucar.

Bom apetite!

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Bolo de banana


Na recolha da doçaria madeirense, foi possível encontrar no concelho da Calheta, uma receita de bolo de banana, fruto tropical que abunda na costa sul da Madeira. As qualidades da banana já aqui foram distinguidas, razão pela qual, o melhor é mesmo deitar mãos à obra e confeccionar uma iguaria muito aprecidada nesta Região.

Ingredientes:
600 g de banana da Madeira (cerca de seis bananas)
300 g de farinha
400 g de açucar
250 g de manteiga
4 ovos
2 c. (chá) de soda
2 c. (chá) de fermento em pó
2 c. (chá) de sal fino

Esmague bem as bananas que devem ser maduras, com a ajuda de um garfo. À parte bata o açucar com os ovos até obter um preparado branco e fofo. Em seguida, adicione a manteiga derretida, a farinha, o sal, o fermento, a soda e, por fim, a banana esmagada. Envolva tudo muito bem e verta para uma forma previamente untada com manteiga e polvilhada com farinha. Aquela o forno a 170 Cº. Deixe cozer cerca de 45 minutos. Ao fim desse período verifique se o bolo está cozido com o auxílio de um palito. Desenforme morno.

Bom apetite!

As qualidades da banana


A banana é talvez a fruta tropical mais popular em todo o mundo ocidental. Para isso, muito contribui o facto de poder ser cozinhada ou consumida em cru, ser fácil de descascar, não ter sementes nem caroço, ter sabor e aroma muito agradáveis e ainda excepcional valor nutricional.
Curiosamente, a bananeira não é uma árvore, mas sim uma erva gigante. O caule é um rizoma subterrâneo e a parte aérea é constituída quase exclusivamente por folhas. As baínhas das folhas formam um pseudocaule onde está o cacho de frutos. Todas as bananeiras hoje cultivadas são híbridos de duas espécies e reúnem-se em dois grupos, os da bananeira-pão e os da bananeira-fruta.
Uma só banana fornece 16 por cento da fibra que necessitamos diariamente. Fornece ainda 15 por cento de toda a vitamina C e 11 por cento do total de potássio. Mas a banana não se fica por aqui. Possui ainda algum magnésio, ácido fólico e ferro.
A sua riqueza em minerais e fácil digestão leva muitos desportistas a preferi-la quando as competições se prolongam durante várias horas. O potássio presente na banana ajuda a contracção muscular, a transmissão dos impulsos nervosos e a regular o balanço hídrico. Uma banana de tamanho médio (120 g.) contém cerca de 475 mg. de potássio. Não admira por isso, ver diversos campeões, de banana em punho, ao longo das suas provas.
Por não conter praticamente gordura e proteína, a banana torna-se a companhia ideal dos pequenos almoços. Com leite e cereais constitui uma refeição muito completa, equilibrada e extremamente fácil de preparar.
A bananeira foi introduzida na Madeira em meados do século XVI, tendo-se espalhado aos poucos por toda a ilha, no entanto, é na costa sul que se nota uma maior produção, nomeadamente nos concelhos do Funchal, Câmara de Lobos, Ponta do Sol e Calheta.
Viva pois a banana, que nos lembra ser possível misturar prazer e saúde à mesa e ainda... sol amarelo em dias de cinza.

Fonte: ICV/MF

Sopa de maçaroca e feijão


As sopas fazem parte do receituário tradicional madeirense, e a sugestão que aqui apresento, faz parte da recolha realizada pela Confraria Gastronómica da Madeira e publicada no seu livro "Sabores", da autoria de Júlio Pereira. A sopa de maçaroza e feijão é um prato tradicional da Ponta do Sol e é de fácil confecção, podendo ser servida como prato principal.

Ingredientes:
200 g de semilhas
1/2 couve
150 g de pimpinela
150 g de cenouras
3 cebolas
300 g de carne de porco salgada
100 g de feijão maduro
2 maçarocas
sal q.b.

Demolhe a carne de porco por três horas para retirar o sal. Coloque-a cortada em pedaços num tacho com água, juntamente com o feijão, a cenoura aos pedaços e as maçarocas partidas às rodelas. Leve ao lume e deixe cozer por 20 minutos. Passado esse tempo junte as pimpinelas em gomos, as semilhas aos cubos e a couve em pedaços grosseiros. Deixe a sopa ferver por mais 40 minutos e antes de servir rectifique os temperos.

Bom apetite!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Bifes de atum


O atum é um dos peixes que mais motiva os pescadores madeirenses a passarem temporadas em alto mar, visto poder ser vendido fresco ou em conserva. A sua carne gorda, branca ou rosada, possui uma consistência firme. Por ser um peixe de grandes dimensões pode ser adquirido à posta (excelente para assar, cozer ou salpresar) ou pedir para ser cortado em bifes, que constitui uma iguaria deliciosa e muito apreciada na gastronomia madeirense. A sugestão que aqui deixo é de simples e rápida confecção.

Ingredientes:

800 g de atum fresco
2 dentes de alho
2 colheres (sopa) manteiga
2 cebolas
1 folha de louro
1/2 dl de vinho branco
sal e pimenta q.b.

Tempere os bifes de atum com sal, pimenta, os alhos picados e regue com o vinho branco. Numa frigideira derreta a manteiga e junte o molho da marinada, a cebola cortada às rodelas finas e a folha de louro. Depois da cebola alourar, sem queimar, adicione os bifes de atum, tendo o cuidado de os voltar para que fiquem cozinhados de ambos os lados. Sirva com semilha cozida e/ou milho frito e uma salada de alface e tomate.

Bom apetite!

As qualidades do peixe


A utilização do peixe na alimentação do homem perde-se na memória dos tempos. Os baixos-relevos egípcios revelam pescadores a puxar pescado para terra ou a preparar a salga. Na Antiga Grécia, não havia festa sem pelo menos, um prato de peixe. Também na Antiga Roma, as pessoas de gostos requintados não se contentavam com os peixes habituais e exigiam para a sua mesa fígado de douradas, leite de moreias e peixes exóticos. Na época medieval o consumo do peixe diferenciava as classes sociais. Os de água doce continuavam a ser o alimento das classes mais abastadas e o restante pescado, mais para o povo, era muito apreciado durante as épocas de jejum e abstinência. O grande consumo por parte do clero era resultado das prescrições religiosas, cujas ementas nos conventos e mosteiros do século XII evidenciam diversos modos de preparação e confecção.
Hoje, o peixe é um alimento indispensável para uma alimentação correcta e equilibrada, visto ser rico em proteínas, vitaminas e sais minerais e, de um modo geral, pobre em gorduras. É um bom aliado para quem estiver a seguir uma dieta de emagrecimento, dado ser rico em nutrientes e de baixo teor calórico. Além disso, permite a confecção de iguarias únicas, dando um brilho gastronómico, ao país, em geral e à Madeira, em particular.
Na compra do peixe deve ter em atenção alguns aspectos, visto que a sua qualidade passa pela sua frescura. Quando realmente fresco, algumas horas depois de pescado, tem os olhos transparentes, gelatinosos e salientes, com o corpo firme, resistente à pressão dos dedos, a pele luzidia e as escamas brilhantes, húmidas e bem ajustadas umas às outras e aderentes à pele. A guelra tem uma tonalidade vermelho-viva.
Compre de preferência o peixe inteiro e peça para cortar em filetes ou de outra forma. Se optar por comprar cortado avalie bem.
Se comprar peixe congelado, leve em linha de conta que não deve estar nessa condição, mais do que três meses, e verifique se apresenta uma cor clara e se não contém cristais de gelo. O cheiro deve ser suave e natural como se fosse fresco.
Como o peixe detiora-se mais depressa do que a carne, deve ser cozido no próprio dia ou no dia seguinte à compra. Por exemplo, a cavala estraga-se mais rápido do que o peixe-espada, por ser mais oleoso e ficar rançoso.

O Bolo de Mel - ex libris da Doçaria Madeirense


É um dos mais apreciados doces da gastronomia madeirense e agora está em livro. A Associação Cultural Memórias Gastronómicas, fundada em 2006, fez um levantamento sobre o Bolo de Mel e apresenta-o em 'O Bolo de Mel - Ex Libris da Doçaria Madeirense', um livro que vai para além deste produto, bastante apreciado nesta época. O livro, compilado pelo historiador João José Abreu de Sousa, traça um quadro da Madeira antiga, reúne uma abordagem histórica à ilha, na vertente da gastronomia, com especial incidência na economia e na indústria açucareira. É também um veículo para a apresentação de receitas, as do convento de Santa Clara e de particulares, cujo objectivo é também divulgar a riqueza e manter as receitas ancestrais por outras gerações. "Este livro é mais do que um documentário material ao longos destes séculos pois evoca toda a nossa linguagem sentimental e espiritual com os produtos da terra e que temos de os transformar numa linguagem mnemónica, sensível e civilizacional, e que traz a cada um de nós, habituados desde tenra idade a conhecê-los nas cozinhas dos nossos pais, um rol de emoções a que mão são alheios, sem dúvida o toque e o cheiro que esses produtos têm, aos quais se juntava a cor e o gosto do genuíno mel de cana de açúcar da ilha que envolvia esses mesmos produtos e o tempo... por aqui se vê que 'bolo de mel', para um madeirense, é sempre 'bolo de mel de cana de açúcar'!", refere João Dionísio nas primeiras páginas da obra, lançada com o apoio da Direcção Regional dos Assuntos Culturais. A história do mel de cana e do açúcar, o papel dos próprios doces no quotidiano, os rituais à mesa e a preparação e apresentação da comida que entrava na dieta dos madeirenses são ali tratados, juntamente com a definição do quadro económico e social da Madeira de então. Os engenhos, a lenha, a colheita das canas e os impostos também entram nesta obra que fala do Funchal dos séculos XV e XVI, da revolução do doce, que permitiu à generalidade da população desfrutar de um prazer até então reservado a uma minoria. O poder de conservação do mel de cana foi uma das razões que o tornaram precioso e a exportação dos doces também ficou na História. Nas receitas de referência do Bolo de Mel encontram-se duas do Convento de Santa Clara, o primeiro convento feminino da ilha da Madeira: uma do século XV - XIX e outra do Séc. XIX. Da primeira para a segunda foi introduzida a soda, que fez passar o tempo de fermentação de três para dois dias. Desta última para a receita do Séc. XX recolhida e também apresentada na obra foi incluído o leite. Segundo este livro, o Bolo de Mel foi criado na Madeira "em honra à grande Festa da Família que é o Natal". O facto de ser um bolo difícil de fazer por uma única pessoa incentivava a reunião familiar para a sua preparação. O livro tem uma primeira edição de mil exemplares. Está à venda no primeiro andar do Mercado dos Lavradores em A Tágide - espaço de gastronomia conventual e inter-secular.

Um pouco da sua história publicada na obra

“[…]O bolo de mel de cana-de-açúcar surgiu, assim, com naturalidade, no sossego claustral do convento de Monchique, cruzando-se os ensinamentos culinários de Portugal com o exotismo árabe-berbere.
Referem velhas crónicas Franciscanas que frei Jordão do Espírito Santo, no remoto século XV navegou para a Madeira, numa ágil caravela trazendo com ele a sabedoria do bolo de mel. Uma vez, no Funchal, no natural intercâmbio de mimos, entre os conventos a notável receita, precedida de deliciosos exemplos vivos do delicioso manjar, tornou-se conhecido das freiras franciscanas do Convento de Santa Clara.[…]”
“ […] juntaram ao bolo algumas requintadas especiarias, com destaque para o cravinho, naturalmente doseado com angélico pudor já que se trata duma especiaria bem afrodisíaca […]”
“[…] partido à mão, o bolo de mel madeirense é bem acompanhado por um fino e velho vinho Madeira[…]”