quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Bolo de Mel - ex libris da Doçaria Madeirense


É um dos mais apreciados doces da gastronomia madeirense e agora está em livro. A Associação Cultural Memórias Gastronómicas, fundada em 2006, fez um levantamento sobre o Bolo de Mel e apresenta-o em 'O Bolo de Mel - Ex Libris da Doçaria Madeirense', um livro que vai para além deste produto, bastante apreciado nesta época. O livro, compilado pelo historiador João José Abreu de Sousa, traça um quadro da Madeira antiga, reúne uma abordagem histórica à ilha, na vertente da gastronomia, com especial incidência na economia e na indústria açucareira. É também um veículo para a apresentação de receitas, as do convento de Santa Clara e de particulares, cujo objectivo é também divulgar a riqueza e manter as receitas ancestrais por outras gerações. "Este livro é mais do que um documentário material ao longos destes séculos pois evoca toda a nossa linguagem sentimental e espiritual com os produtos da terra e que temos de os transformar numa linguagem mnemónica, sensível e civilizacional, e que traz a cada um de nós, habituados desde tenra idade a conhecê-los nas cozinhas dos nossos pais, um rol de emoções a que mão são alheios, sem dúvida o toque e o cheiro que esses produtos têm, aos quais se juntava a cor e o gosto do genuíno mel de cana de açúcar da ilha que envolvia esses mesmos produtos e o tempo... por aqui se vê que 'bolo de mel', para um madeirense, é sempre 'bolo de mel de cana de açúcar'!", refere João Dionísio nas primeiras páginas da obra, lançada com o apoio da Direcção Regional dos Assuntos Culturais. A história do mel de cana e do açúcar, o papel dos próprios doces no quotidiano, os rituais à mesa e a preparação e apresentação da comida que entrava na dieta dos madeirenses são ali tratados, juntamente com a definição do quadro económico e social da Madeira de então. Os engenhos, a lenha, a colheita das canas e os impostos também entram nesta obra que fala do Funchal dos séculos XV e XVI, da revolução do doce, que permitiu à generalidade da população desfrutar de um prazer até então reservado a uma minoria. O poder de conservação do mel de cana foi uma das razões que o tornaram precioso e a exportação dos doces também ficou na História. Nas receitas de referência do Bolo de Mel encontram-se duas do Convento de Santa Clara, o primeiro convento feminino da ilha da Madeira: uma do século XV - XIX e outra do Séc. XIX. Da primeira para a segunda foi introduzida a soda, que fez passar o tempo de fermentação de três para dois dias. Desta última para a receita do Séc. XX recolhida e também apresentada na obra foi incluído o leite. Segundo este livro, o Bolo de Mel foi criado na Madeira "em honra à grande Festa da Família que é o Natal". O facto de ser um bolo difícil de fazer por uma única pessoa incentivava a reunião familiar para a sua preparação. O livro tem uma primeira edição de mil exemplares. Está à venda no primeiro andar do Mercado dos Lavradores em A Tágide - espaço de gastronomia conventual e inter-secular.

Um pouco da sua história publicada na obra

“[…]O bolo de mel de cana-de-açúcar surgiu, assim, com naturalidade, no sossego claustral do convento de Monchique, cruzando-se os ensinamentos culinários de Portugal com o exotismo árabe-berbere.
Referem velhas crónicas Franciscanas que frei Jordão do Espírito Santo, no remoto século XV navegou para a Madeira, numa ágil caravela trazendo com ele a sabedoria do bolo de mel. Uma vez, no Funchal, no natural intercâmbio de mimos, entre os conventos a notável receita, precedida de deliciosos exemplos vivos do delicioso manjar, tornou-se conhecido das freiras franciscanas do Convento de Santa Clara.[…]”
“ […] juntaram ao bolo algumas requintadas especiarias, com destaque para o cravinho, naturalmente doseado com angélico pudor já que se trata duma especiaria bem afrodisíaca […]”
“[…] partido à mão, o bolo de mel madeirense é bem acompanhado por um fino e velho vinho Madeira[…]”

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Arroz de marisco


Entre a variedade de pratos, o arroz de marisco era o que faltava neste blogue. Na Madeira, podemos encontrar todo o tipo de mariscos, daí que, um pouco por toda a ilha, sobretudo junto à costa, não faltem restaurantes especializados na confecção de peixe e marisco. Contudo, a receita que aqui apresento, é para ser feita em casa, sem pressas e para convidar amigos ou familiares à sua degustação. Acompanhe com um vinho branco leve, acídulo ou com vinho verde branco.

Ingredientes:
300 g de camarão
500 g de mexilhão
500 g de amêijoas
50 g de ervilhas
2 dl de vinho branco
4 dentes de alho
1 cebola grande
2 c. (sopa) de margarina
2 tomates maduros
sal e pimenta q.b.
1 folha de louro
300 g de arroz
1 ramo de salsa

Coza o camarão em meio litro de água fervente temperada com sal, durante cerca de cinco minutos. Depois de cozido, retire a panela do calor e filtre o caldo. Descasque o camarão e reserve ambos. leve ao lume o mexilhão e a amêijoa, juntamente com o vinho branco e dois dentes de alho picados. Tape e cozinhe até as conchas começarem a abrir. Retire do lume e elimine as cascas, deixando alguns inteiros para a decoração. Refogue a cebola e os restantes dentes de alho picados na margarina, adicione o tomate aos pedaços, limpo de peles e sementes. Tempere com a pimenta e a folha de louro e regue com o caldo dos bivalves. Assim que levantar fervura, incorpore o arroz. Deixe ferver novamente, regue com o caldo do camarão e adicione as ervilhas. Tempere com sal e pimenta e cozinhe, em lume brando, durante cerca de 10 minutos, com panela tapada. No final, encolva o camarão e o miolo da amêijoa e o mexilhão. Polvilhe com a salsa picada e sirva de seguida.

Sugestão: Pode comprar o camarão cozido e o miolo da amêijoa e do mexilhão. Para fazer o caldo, ferva as cabeças dos camarões por cinco minutos e coe.

Bom apetite!

As qualidades do arroz


O arroz contém fósforo, um mineral que facilita o trabalho intelectual, e potássio, que acalma os nervos e relaxa os músculos. É o alimento básico para mais de metade da população mundial. Pode ser a base do prato mais simples e humilde ou pode converter-se numa festa para os sentidos e para o estômago.
A verdade é que existe uma enorme variedade de pratos com arroz, tal como pode ver neste blogue, confeccionados como acompanhamento ou com peixe, mariscos, carne e legumes.
Na nossa dieta é protagonista indiscutível, pois enquanto coze, em média 15 a 18 minutos, prepara-se rapidamente um complemento para uma refeição completa.
A versatilidade do arroz une-se a outra vantagem, que é o seu preço reduzido. Desta forma, pode combiná-lo com outros ingredientes menos económicos sem arruinar o seu pressuposto. Tem ainda outra vantagem: quando se trata de fazer comida para um "batalhão", não restam dúvidas, visto ser um prato perfeito para a bolsa e para agradar e saciar a todos.
Há uma variedade de arroz pelo que a sua cozedura também pode ser variável. Os tempos normais de 15 a 18 minutos vão para o arroz de grão largo, grão curto-médio e basmati. Para o arroz integral e selvagem o tempo varia entre os 45 e os 50 minutos. Finalmente, o arroz instantãneo coze entre 4 a 7 minutos.

Frango com cerveja preta


A cerveja Coral produzida na Madeira desde 1872, tem características únicas e continua a ser a preferida dos madeirenses. A minha sugestão permite a utilização da cerveja (neste caso a Coral Tónica) para fins culinários, o que enriqueçe o pitéu que lhes apresento e espero que gostem.

Ingredientes:
1 frango
2 cebolas médias
2 dentes de alho
1 dl de azeite
1 folha de louro
1 tomate
100 g de cogumelos
1 cerveja preta
1 ramo de salsa
sal e pimenta q.b.

Parta o frango em pedaços, lave bem a carne e reserve. À parte, pique as cebolas e os alhos e refogue-os no azeite, juntamente com o louro. Assim que a cebola alourar, junte o tomate picado, sem pele nem sementes, os cogumelos cortados e o frango, tempere com sal e pimenta e envolva bem. Junte depois a cerveja e deixe cozinhar em lume brando. Quando o frango estiver cozido, junte a salsa picada e sirva com puré de batata ou arroz.

Bom apetite!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mousse dos namorados


Há quem diga que os doces são pecados menores e prazeres maiores, daí que um pequeno e doce pecado é, muitas vezes, a designação atribuída à sobremesa. Os doces, quando consumidos com moderação, podem ser uma fonte de vitaminas, minerais e hidratos de carbono, visto muitas receitas serem preparadas com frutos e produtos lácteos. Para o dia dos namorados, deixo mais uma sugestão para ser degustada a dois, com muito amor e carinho.

Ingredientes:
100 g de chocolate negro
1 c. (sopa) de margarina
2 c. (sopa) de café
2 c. (sopa) de licor de café
4 ovos
50 g de açucar
sal q.b.

Parta a tablete de chocolate em quadradinhos, junte-lhes a margarina, o café e o licor e leve a derreter em banho-maria ou no microondas. Enquanto derrete, não mexa o chocolate para não criar grumos. Bata a gemas com o açucar até obter um creme bem fofo. Quando o chocolate estiver derretido, mexa então e junte-lhe a gemada, misturando bem. Bata as claras em castelo bem firme com uma pitada de sal e envolva cuidadosamente no creme anterior. Deite a mousse em duas taças, se possível em forma de coração e leve ao frigorífico. Sirva a mousse bem fresca e nessa altura enfeite-a com beijinhos de chantilly.

Bom apetite e muito amor!

Bifes de S. Valentim


É um facto que no dia dos namorados, os restaurantes estão cheios e muitas vezes os menús não correspondem às expectativas. Além disso, a privacidade constitui um elemento importante para comemorar um dia especial. Assim, proponho uma vez mais uma refeição a dois, feita com muito amor e carinho, para ser saboreada sem pressas.

Ingredientes:
2 bifes de novilho
dois dentes de alho
1 c. (sopa) de margarina
1 cálice de whisky
1 dl de natas
1 c. (chá) de mostarda
Tabasco q.b.
sal e pimenta q.b.

Numa frigideira derreta um pouco da margarina e leve a fritar algumas rodelas de alho. Quando começarem a alourar, junte os bifes. Frite a carne rapidamente de ambos os lados. Tempere só agora com sal e com a pimenta moída grosseiramente. Retire os bifes da frigideira, deite um pouco mais de margarina e deixe derreter. À parte, misture o whisky com a mostarda e algumas gotas de tabasco. Deite na frigideira e deixe ferver. Adicione as natas e, quando voltar a ferver, junte de novo os bifes. Rectifique de sal. Deixe cozinhar, agitando a frigideira até a carne estar no ponto e o molho ficar espesso. Sirva com arroz, brócolos e cenoura cozida.

Como sugestão, em vez de arroz, asse duas semilhas grandes com casca, envoltas em papel de alumínio, depois abra-as com uma faca bem afiada e com a ajuda de uma colher retire uma boa parte da polpa. Misture esta polpa com manteiga, um pouco de natas, e duas gemas de ovo. Tempere com sal, pimenta e noz moscada. Bata as duas claras em castelo e junte-as ao preparado anterior. Com este preparado, encha bem o interior das semilhas e leve de novo ao forno bem quente, durante 10 a 15 minutos, até ficarem douradas. Retire o papel de alumínio e coloque-as no prato.

Bom apetite e muito amor!

Frango à antiga


Estufada, assada, guisada, frita, grelhada, a carne de aves tem a vantagem de ser saborosa e pobre em gorduras. Este tipo de carne é uma das mais saudáveis e essenciais na nossa alimentação, mas deve ser bem cozinhada. São incontornáveis os pratos de aves que fazem parte do acervo gastronómico mundial. Mais ou menos famosos, são verdadeiras referências a que recorrentemente voltamos... com prazer. A sugestão que aqui apresento é um prato típico que pode ser encontrado em diversos restaurantes regionais e nacionais, mas em casa tem outro sabor.

Ingredientes:
1 frango do campo
1 c. (chá) de colorau
1 dl de vinho branco
3 dentes de alho
2 cebolas
1 dl de azeite
1/2 chouriço
100 g de toucinho
1 cenoura
4 dl de caldo de galinha
200 g de arroz
1 ramo de salsa
1 c. (sopa) de vinagre
sal e pimenta q.b.

Corte o frango em pedaços e tempere com sal, pimenta, o colorau e o vinho branco. Corte os alhos e a cebola finamente e refogue no azeite, junto com o chouriço e o toucinho em pedaços. Acrescente o frango e deixe alourar um pouco. Junte a cenoura em pedaços e metade do caldo. Deixe estufar durante 35 minutos. Decorrido esse tempo, adicione o restante caldo e o arroz. Envolva e deixe cozer por mais 10 minutos e acrescente a salsa picada. Rectifique os temperos, retire do lume e mantenha a panela tapada durante alguns minutos. Envolva o vinagre e sirva.
Sugestão: sirva num tacho de barro para manter o calor.

Bom apetite!