Desejo a todos os visitantes deste blogue um 2009 recheado com uma boa dose de prosperidade, coberto de muita saúde e polvilhado com felicidade. Este será mais um ano de intenso labor neste blogue, sempre com o propósito de promover, defender e divulgar a herança cultural da gastronomia madeirense e das suas tradições.
Bom ano novo!
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Passagem de ano: "Alquimia da Cor" na baía do Funchal

O espectáculo pirotécnico do Funchal, que em 2007 foi reconhecido pelo “Guinness Book of World Records” como o maior do planeta, terá este ano a duração de oito minutos e é subordinado ao tema "Alquimia da Cor", da responsabilidade da empresa Macedo's Pirotecnia.
O fogo será disparado a partir de 39 postos, sendo 24 no anfiteatro da cidade, oito na orla marítima e baixa citadina e os restantes cinco no mar, onde estarão seis navios de cruzeiro.
Serão queimadas mais de 17 toneladas de fogo-de-artifício, em 71 mil disparos e rebentamento de 40 mil peças, num espectáculo que custará ligeiramente acima de um milhão de euros.
Entretanto, o fogo-de-artifício no Porto Santo será lançado, este ano, a partir do miradouro da Portela, sendo igualmente da responsabilidade da mesma empresa portuguesa.
No que concerne ao estado do tempo, depois das intensas chuvadas e do vento forte que têm fustigado a Madeira nos últimos dias, os meteorologistas prevêem para a noite de São Silvestre madeirense céu muito nublado.
A tradição leva milhares de madeirenses a casa de familiares ou amigos para assistir, em pontos estratégicos ao fogo. Uma oportunidade para confraternizar e degustar algumas iguarias da gastronomia e da doçaria regional, além das bebidas que fazem aquecer a alma, esquecer as agruras do ano velho e brindar ao novo.
Bom ano de 2009 a todos os visitantes deste blogue!
Passagem de ano: Poucos acreditam, mas quase todos cumprem rituais para trazer boa sorte

Uns têm origens seculares, outros ninguém sabe como surgiram, mas todos visam trazer boa sorte para o ano que começa. Dos mais crentes aos mais cépticos, na noite da passagem de ano, poucos são os que dispensam rituais que prometem dinheiro, saúde e amor. Na Madeira não há muitas diferenças.
"Cumprir alguns rituais dá um certo conforto psicológico. Mesmo quem não acredita em superstições, acaba muitas vezes por perpetuá-las, considerando que não custa nada e, pelo sim, pelo não, é melhor cumpri-las, não vá dar-se o caso de até funcionarem", explica o sociólogo e professor da Universidade Nova de Lisboa Moisés Espírito Santo.
Para o especialista, o peso da tradição acaba por gerar uma pressão colectiva e até alguma "coacção social" no sentido de se cumprirem estes rituais: "se toda a gente faz, por que razão não hei-de fazer também?", é a pergunta, por vezes inconsciente, que muitos se colocam.
Segundo um inquérito realizado pela Marktest em 2006, só 30 por cento dos inquiridos afirmaram não ter nenhuma superstição associada ao reveillon. Comer 12 passas nos segundos finais do último dia do ano e, por cada uma, pedir um desejo é, de longe, a tradição mais popular entre os portugueses.
"Há uma visão mágica associada a esta data, que faz com que as pessoas acreditem que tudo pode mudar de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro. Por isso, acham que a probabilidade de se cumprirem os desejos é maior se eles forem pedidos nesse momento de transição", afirma Moisés Espírito Santo.
Também por essa razão, este é, frequentemente, o momento escolhido para tomar decisões importantes e até mudar de vida: fazer dieta, deixar de fumar, passar mais tempo com a família ou casar, por exemplo, são resoluções com que muitos se comprometem para o ano que está prestes a começar.
Até porque virar a última folha do calendário é como "começar tudo de novo", mas com esperanças fortalecidas numa vida mais feliz. O conceito de renovação é, aliás, um dos mais fortemente associados a esta época, estando subjacente a quase todas as tradições da passagem de ano.
Estrear uma peça de roupa interior ou fazer a cama com lençóis nunca antes usados, que a crendice assegura trazerem boa sorte para o amor, são superstições ligadas a esta ideia de novo começo, assim como a ancestral tradição de deitar fora objectos velhos que perderam a utilidade, ou o simples gesto de enrolar uma nota alta na mão, ou tê-la no bolso e desejar mais dinheiro para o ano novo.
Fazer barulho é igualmente um dos mais antigos, mas também mais enraizados rituais associados ao reveillon, um pouco por todo o mundo. Seja gritar, lançar foguetes ou bater em panelas, a ideia, adianta o sociólogo, "é espantar os maus espíritos, os demónios e os velhos fantasmas que possam ter atormentado ou perturbado o ano que passou".
Entre as superstições que prometem bons augúrios para o futuro, subir a uma cadeira à meia-noite é, supostamente, sinónimo de prosperidade.
Numa altura de crise económica, é provável que muitos não se esqueçam de os cumprir. Até porque estes rituais da passagem de ano são como as bruxas: ninguém acredita, mas…
Joana Bastos (Lusa)/MF
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Cozinha Contemporânea Madeirense
O chefe de cozinha francês Yves Gautier lançou há poucos dias o livro intitulado "Cozinha Contemporânea Madeirense", patrocinado pela empresa Funchal 500 Anos, numa cerimónia que contou com a presença da secretária regional do Turismo, Conceição Estudante.
Trata-se de um livro que apresenta um receituário renovado com aspectos da cozinha tradicional madeirense, com a qualidade de um profissional que já vive na Região há vários anos. O chefe Yves Gautier apresenta um currículo invejável, tendo trabalhado em vários países e regiões do mundo, nomeadamente em França, Reino Unido, Caraíbas, Médio Oriente. Na Jordânia foi chefe de cozinha do Rei Hussein I.
Confessa apreciadora da arte de Yves Gautier, há vários anos, Conceição Estudante, esteve no lançamento do livro que, após ter folheado, disse que a obra permite “saborear por antecipação” as especialidades apresentadas pelas imagens do Studio Quattro. De Yves Gautier, a governante enalteceu o dom que o cozinheiro tem no uso de ervas aromáticas.
Conceição Estudante, realçou ainda a importância da obra para a divulgação da gastronomia madeirense. No seu entendimento, a cozinha regional é muito rica, mas não tem merecido a divulgação necessária. Este livro vem, no seu entender, ajuda a preencher essa lacuna.
Trata-se de um livro que apresenta um receituário renovado com aspectos da cozinha tradicional madeirense, com a qualidade de um profissional que já vive na Região há vários anos. O chefe Yves Gautier apresenta um currículo invejável, tendo trabalhado em vários países e regiões do mundo, nomeadamente em França, Reino Unido, Caraíbas, Médio Oriente. Na Jordânia foi chefe de cozinha do Rei Hussein I.
Confessa apreciadora da arte de Yves Gautier, há vários anos, Conceição Estudante, esteve no lançamento do livro que, após ter folheado, disse que a obra permite “saborear por antecipação” as especialidades apresentadas pelas imagens do Studio Quattro. De Yves Gautier, a governante enalteceu o dom que o cozinheiro tem no uso de ervas aromáticas.
Conceição Estudante, realçou ainda a importância da obra para a divulgação da gastronomia madeirense. No seu entendimento, a cozinha regional é muito rica, mas não tem merecido a divulgação necessária. Este livro vem, no seu entender, ajuda a preencher essa lacuna.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Cumprida a tradição da Noite do Mercado
Cumpriu-se mais uma “Noite do Mercado”, com todos os seus componentes tradicionais que nem a chuva impediu que fossem realizados.
À passagem pelas ruas circundantes, apinhadas de gente, misturavam-se os cheiros característicos da confecção da carne vinha d’alhos, das malassadas, das tangerinas da Região e das flores.
A espaços encontravam-se pequenos grupos musicais, mais ou menos organizados. À porta do mercado ouviram-se às primeiras horas, cânticos entoados por algumas pessoas, do grupo cultural da Casa do Povo de São Martinho. Na Rua Latino Coelho, o despique animou por alguns instantes, quem por ali passava.
O ponto alto foi para a actuação da “Confraria dos Cantares”, composta por meia centena de pessoas, que há hora marcada (23), encheram a praça do peixe com um reportório de cânticos de Natal.
José Alberto Gonçalves, um dos principais impulsionadores do grupo, recorda que foi na década de 80, que alguns amigos retomaram os cantares no mercado. “Estes amigos já há muito que cantavam como um grupo de porta-a-porta em casas de amigos, até ao dia em que alguém deu a ideia de virmos ao mercado”, lembrou o autarca de Santa Cruz.
Hoje, mais organizados, continuam a “construir a tradição” numa das mais concorridas tradições do Natal madeirense.
As portas do mercado encerraram às 02h00, mas nas ruas circundantes o arraial decorreu pela madrugada, terminando às seis da manhã.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Sandes com sabor a Festa
Longe vão os tempos em que a carne de vinha d’alhos era comida apenas na Festa. Hoje, é um prato que vai à mesa dos madeirenses ao longo do ano de uma forma mais frequente. Ainda assim, sobretudo as sandes, é algo que lembra sempre esta quadra de Natal.
As sandes de carne de vinha d’alhos, em carcaça, ou em bolo do caco — embora seja mais frequente em carcaça, ou papo seco — é algo que os madeirenses associam a esta quadra. Apesar de ser uma iguaria típica de muitos arraiais ao longo de todo o ano.
Apesar de haver quem não goste, a verdade é que as sandes de carne de vinha d’alhos são sempre muito procuradas, em especial na tradicional Noite do Mercado, onde o cheiro característico se faz notar por toda a zona envolvente.
Os ingredientes são simples: carne de porco (de preferência com alguma gordura), alho, vinho e vinagre, louro e segurelha. Mas, apesar de, à primeira vista, podermos considerar uma “iguaria” de fácil confecção, a verdade é que ela tem também os seus segredos, quer nas proporções dos diferentes ingredientes, em especial o alho e o vinagre, cujos aromas são mais intensos, quer na maneira de preparar. Por isso, é natural que o sabor possa ser diferente, consoante a forma como foram feitas e as quantidades usadas.
Escusado será dizer que, normalmente, as melhores são as que são feitas em casa, pois estão de acordo com o nosso gosto. Mas, em tempo de festa, não há como comprar já feitas. Mesmo que a carne só tenha quase o sabor a sal, ou seja mais gordura que carne. Mas é assim mesmo, em dias de festa.
Independentemente disso, as sandes de carne de vinha d’alhos são indispensáveis nesta quadra natalícia. Pois, trata-se de um dos elementos característicos da Festa madeirense, que se distingue de grande parte das regiões do nosso país.
E porque, nesta altura, há uma maior tolerância para os exageros gastronómicos, é preciso aproveitar, saborear e deliciar-se com o sabor e os aromas, que não se ficam apenas pelas sandes de carne de vinha d’alhos, mas que sem dúvida, ocupa um lugar de destaque na ementa madeirense nesta altura do ano.
Marsílio Aguiar (Jornal da Madeira)
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Doces ganham formas e nomes diferentes em cada região do país

Os ingredientes base são os mesmos e o valor calórico também. Com adaptações cozinhadas ao gosto de cada um, os doces de Natal ganham nomes e formas diferentes consoante a região do país.
Se no Algarve lhes chamam empanadilhas e em Sines pastéis, no resto do país são conhecidas por azevias (na foto). De grão, batata doce ou amêndoa, elas são a prova de que seja no Norte ou no Sul, o Natal quer-se doce.
Nas mesas portuguesas por altura do Natal não faltam as famosas rabanadas, os fritos de pão passado por leite e ovos também conhecidos como fatias douradas, fatias paridas ou de parideira. Na Madeira são conhecidas apenas por douradas, servidas polvilhadas de açúcar.
No Douro e Minho chamam-lhe fidalgas e têm uma variante: o pão leva manteiga e é regado de véspera com leite fervido com limão e um pau de canela e em vez de fritas são cozidas numa calda de açúcar.
No final são polvilhadas com canela ou com a restante calda de açúcar, mas neste caso, seguindo as regras da gastronomia regional, convém fazer de véspera.
Também com calda de açúcar são feitos os mexidos de Natal, típicos da região minhota e do Douro, que vão ao lume com nozes, passas e pinhões. São servidos em pequenos pratinhos polvilhados com canela.
Das regiões do Minho e Douro são os conhecidos bolinhos de jerimu, um puré de abóbora a que se junta farinha, fermento, açúcar e claras em castelo, que nalgumas zonas também são chamados de sonhos. Por cá comem-se mais no Carnaval, a par das malassadas.
À açorda doce o Minho chama formigos e o importante é ter imaginação. Ao pão cozido em leite e ovos podem juntar-se o mel ou o vinho doce.
Já a aletria, tradicional no Minho e Douro, mantém o nome em todo o território nacional, mas o mesmo não acontece com a filhós, o mais famoso doce natalício, que além do nome também vê variar a forma consoante a região.
As filhós são velhozes nalgumas zonas e noutras em vez da massa ser estendida para fritar é frita em forma de bola (Alto Alentejo), de chapéu (Outeiro de Gatos/Meda) ou mesmo cortada às tiras e enrolada num garfo enquanto passa na fritadeira, para ganhar a forma espiral.
Com as necessárias adaptações, acrescentando o sumo de laranja e a aguardente e fritando a massa em tiras dobradas em forma de livro, o Baixo Alentejo chama-lhes judias.
O pão frito reaparece na sopa doce (Douro) ou sopa dourada, cozinhado em vinho quente com açúcar e um pau de canela.
Sejam eles chamados de azevias, empanadilhas, rabanadas ou fatias, sonhos ou bolinhos de jerimu há um ingrediente comum a todos: o açúcar. Muito açúcar.
Porque o Natal não é boa altura para cuidar da linha e quando chegar o dia já se gastaram algumas das calorias que se vão consumir, seja nas compras (caminhada, marcha ou corrida) ou na delicada tarefa de fazer a árvore, subindo e descendo bancos e escadotes.
É que como diz o ditado: Não se engorda entre o Natal e o Ano Novo, mas sim entre o Ano Novo e o Natal. O seguinte, claro.
Susana Oliveira - Lusa/MF
Subscrever:
Mensagens (Atom)



