segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

A Noite do Mercado


Todos os anos, na denominada "Noite do Mercado", milhares de pessoas, residentes e turistas, convergem para as imediações do Mercado dos Lavradores, no Funchal, conjugando o pretexto de adquirir frutas e legumes para as refeições da quadra festiva com a tradicional animação.
Outrora, meramente por razões financeiras, os madeirenses aguardavam os dias mais próximos da Festa para as compras de Natal, que incluíam as frutas, os legumes, os arranjos e os próprios brinquedos, que também se vendiam nas imediações do mercado.
O subsídio ou o complemento de Natal era pago mais tarde, pelo que era grande a azáfama durante o dia e a noite de 23 para 24, levando milhares de madeirenses ao Funchal.
Hoje, mais que comprar, as pessoas vão ao mercado para divertirem-se ao som dos cânticos que serão entoados no interior do recinto, e pelo arraial que é montado nas ruas circundantes, encerradas ao trânsito e nas quais são montadas barracas de comes-e-bebes.
As portas do mercado estão abertas até à meia-noite, mas no exterior, os vendedores assentam arraiais e vendem os seus produtos até às 6h00. Também os bares circundantes funcionam toda a noite e a música anima todos os que ali se concentram e consomem sandes de carne vinha d'alhos, à mistura com muita cerveja, poncha ou vinho.
Esta é mais uma aposta da animação da cidade do Funchal, ainda a comemorar os 500 anos, pelo que a autarquia disponibilizou mais de 3.000 lugares de estacionamento a custos reduzidos. A PSP terá no terreno 50 agentes para garantir a ordem numa das mais concorridas tradições do Natal madeirense.

Canja de galinha

A canja de galinha madeirense é consumida tradicionalmente na noite de Natal, servida em pequenas taças ou chávenas. Com a carne, fazem-se as sandes que acompanham a degustação da canja. A receita que aqui deixo é de fácil confecção e a que presenteio os comensais.

Ingredientes

1/2 galinha c/miudezas
1 cebola
1 tomate
1 nabo
1 cenoura
1 pau de canela
Arroz ou massa fina
sal q.b.

Coza a galinha (limpa de peles), com as miudezas, em água abundante, temperada com o sal. Adicione a cebola inteira, o tomate cortado em dois, o nabo aos cubos, a cenoura cortada em palitos e o pau de canela. Deixe cozer por uma hora. Decorrido esse período deite o arroz ou a massa fina e deixe ferver por mais 10 minutos. Retire a cebola, o tomate e o pau de canela e sirva quente.

Bom apetite!

Boas Festas

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Cavalas com molho de vilão

Considerado por alguns pescadores, sobretudo no continente, como uma espécie de segunda categoria, a cavala constitui um pitéu para os madeirenses. Na realidade, é um peixe dotado de uma carne saborosa e rico em gorduras saudáveis. A acompanhar o molho vilão, utilizado na Madeira para temperar os bifes de atum e os chicharros fritos.

Ingredientes:

4 Cavalas
4 dentes de alho
Oregãos, pimenta e sal q.b.
3 dl de vinho branco
1 dl de vinagre branco
1 cebola
2 c. (sopa) de azeite

Corte as cavalas em dois e deixe sangrar em leite durante uma hora. Retire, lave e tempere com sal, alhos picados, oregãos e a pimenta. Regue com o vinho branco previamente misturado com o vinagre e deixe a marinar pelo menos três horas. Depois, frite o peixe em azeite bem quente e reserve num prato com papel absorvente. Deixe arrefecer um pouco a frigideira e adicione a marinada com a cebola cortada finamente às rodelas até ferver e apurar. Coloque o peixe numa travessa e regue com o molho. Sirva com semilhas cozidas (ou milho cozido) e com uma salada de alface e tomate.

Bom apetite!

O que é a gastronomia?


Quando criei este blogue em 2007, tive única e exclusivamente o propósito de defender, divulgar e promover os aspectos da gastronomia madeirense, que reafirmo, é rica e diversificada, e que, felizmente, não se esgota em dois ou três pratos, como muita gente quer fazer querer.
A razão pela qual, pertenço a uma confraria gastronómica, vai muito além da ideia de uma simples confraternização entre amigos, que se reúne mensalmente, para degustar alguns pratos, predominantemente tradicionais. A isso poderia chamar tertúlia. Efectivamente, é mais do que isso.
Tive um dia a oportunidade de participar como conferencista, em representação da Confraria Gastronómica da Madeira, num congresso de gastronomia, promovido pela Direcção de Turismo dos Açores, em Ponta Delgada, na qual participaram algumas figuras de relevo da sociedade portuguesa, entre os quais, o Dr. Daniel Serrão, então dirigente da Liga dos Amigos da Saúde e do Vinho (LASVIN), e o Dr. Francisco Sampaio, presidente da Região de Turismo do Alto Minho, mentor dos "Domingos Gastronómicos" que envolveu 350 restaurantes locais.
Na sua intervenção, sobre as qualidades do vinho na saúde, o Dr. Daniel Serrão, deixou bem claro que as confrarias gastronómicas "não eram grupos de pessoas que se reuniam à mesa para comer e beber à bruta, mas pessoas cujo papel visava a promoção de uma herança cultural baseada na gastronomia".
Há poucos dias, ao percorrer o site da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, deparei-me com um escrito formidável, assinado por Vergílio Gomes, da ARESP, datado de Agosto de 2008, no qual, a dada altura, define sabiamente o que é gastronomia. E com a devida vénia passo a citar: "Gastronomia é cada vez mais um fórum rigoroso, simples e significativo que revela a expressão de associabilidade, que transforma a satisfação de uma necessidade de consumo, numa acto de convivialidade. Como já referi a gastronomia pode ser um elemento diferenciador de um destino turístico, e portanto, a sua identificação. Gastronomia tem o risco de ser uma arte efémera que apela a vários sentidos, dependendo do humor individual, e da respectiva educação do gosto, e é também função das expectativas. Gastronomia é uma referência cultural e identificada nos aspectos geográficos, religiosos, económicos, artísticos e patrimoniais. É também através das artes culinárias que se pode conhecer um local e o seu povo".
Posto isto, sendo a Madeira uma região de turismo, vou continuar a utilizar este espaço para a defesa da sua herança cultural gastronómica, para a divulgação das suas produções e para a promoção do destino turístico.

Broas de mel

O receituário tradicional madeirense, no que concerne à vertente da doçaria, fica mais rico com a apresentação das broas de mel, feitas por ocasião da Festa. Normalmente acompanham na degustação dos tradicionais licores da época e com Vinho Madeira.

Ingredientes:
2 dl de mel de cana
750 g de açúcar
1 kg de farinha
4 c. (chá) de soda
5 c. (chá) de canela moída
100 g de margarina
100 g de banha de porco
Raspa de limão

Depois de bem misturados todos os ingredientes, faça pequenas bolas do tamanho de uma noz e coloque separadas num tabuleiro previamente untado. Leve ao forno bem quente por 10 minutos. Deixe arrefecer e guarde num recipiente tapado ou em saco de plástico, em local seco.

Bom apetite!

História do Vinho Madeira


A Ilha da Madeira foi descoberta em 1419, tendo-se desde logo desbravado terras e ocupado solos com cultura de trigo, vinha e cana. A história do Vinho Madeira começa aqui e vai acompanhar ao longo dos séculos o desenvolvimento da própria ilha. Registos históricos demonstram que 25 anos após o início da colonização, as exportações de Vinho Madeira eram já uma realidade!
Mais de cinco séculos de existência, permitem contar uma história de internacionalização que passa pelas mais diversificadas rotas de exportação, consoante as conjunturas internacionais, em que, a par das exportações para Europa, o grande destaque vai para as rotas com destino às Índias e Américas, entre os sécs XVI e XVIII, que no último caso se mantêm até aos nossos dias. A fama e prestígio deste Vinho, podem ainda ser atestados por inúmeros episódios, entre os quais, a celebração da independência dos Estados Unidos, em 1776, que foi comemorada com um brinde de Vinho Madeira!
Ao longo dos séculos os processos de produção vão-se alterando e aperfeiçoando. No século XVIII é introduzido o método de envelhecimento conhecido por estufagem, que irá caracterizar definitivamente o Vinho Madeira, até aos nossos dias.
Muitas foram as personalidades, estadistas e personagens míticas que se deixaram deslumbrar por este Vinho, de que são exemplos, emblemáticos, George Washington e Thomas Jefferson, que eram profundos conhecedores de Vinho Madeira ou Winston Churchil que nas suas visitas à ilha teve oportunidade de o conhecer e apreciar. Mas são também conhecidas as referências ao Vinho Madeira em obras literárias tais como as de Sheakpeare.
O Vinho Madeira nasce para o mundo e a sua história é marcada pela sua passagem nas mais variadas partes do globo, onde continua a ser admirado e reconhecido.

Fonte: IVBAM