quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Broas de mel

O receituário tradicional madeirense, no que concerne à vertente da doçaria, fica mais rico com a apresentação das broas de mel, feitas por ocasião da Festa. Normalmente acompanham na degustação dos tradicionais licores da época e com Vinho Madeira.

Ingredientes:
2 dl de mel de cana
750 g de açúcar
1 kg de farinha
4 c. (chá) de soda
5 c. (chá) de canela moída
100 g de margarina
100 g de banha de porco
Raspa de limão

Depois de bem misturados todos os ingredientes, faça pequenas bolas do tamanho de uma noz e coloque separadas num tabuleiro previamente untado. Leve ao forno bem quente por 10 minutos. Deixe arrefecer e guarde num recipiente tapado ou em saco de plástico, em local seco.

Bom apetite!

História do Vinho Madeira


A Ilha da Madeira foi descoberta em 1419, tendo-se desde logo desbravado terras e ocupado solos com cultura de trigo, vinha e cana. A história do Vinho Madeira começa aqui e vai acompanhar ao longo dos séculos o desenvolvimento da própria ilha. Registos históricos demonstram que 25 anos após o início da colonização, as exportações de Vinho Madeira eram já uma realidade!
Mais de cinco séculos de existência, permitem contar uma história de internacionalização que passa pelas mais diversificadas rotas de exportação, consoante as conjunturas internacionais, em que, a par das exportações para Europa, o grande destaque vai para as rotas com destino às Índias e Américas, entre os sécs XVI e XVIII, que no último caso se mantêm até aos nossos dias. A fama e prestígio deste Vinho, podem ainda ser atestados por inúmeros episódios, entre os quais, a celebração da independência dos Estados Unidos, em 1776, que foi comemorada com um brinde de Vinho Madeira!
Ao longo dos séculos os processos de produção vão-se alterando e aperfeiçoando. No século XVIII é introduzido o método de envelhecimento conhecido por estufagem, que irá caracterizar definitivamente o Vinho Madeira, até aos nossos dias.
Muitas foram as personalidades, estadistas e personagens míticas que se deixaram deslumbrar por este Vinho, de que são exemplos, emblemáticos, George Washington e Thomas Jefferson, que eram profundos conhecedores de Vinho Madeira ou Winston Churchil que nas suas visitas à ilha teve oportunidade de o conhecer e apreciar. Mas são também conhecidas as referências ao Vinho Madeira em obras literárias tais como as de Sheakpeare.
O Vinho Madeira nasce para o mundo e a sua história é marcada pela sua passagem nas mais variadas partes do globo, onde continua a ser admirado e reconhecido.

Fonte: IVBAM

Vinho Madeira: E o Natal acontece


Celebrar e brindar o Natal com algo de tradicional, mas de uma forma menos habitual, é o que propõe o Instituto do Vinho, Bordados e Artesanato da Madeira com a sua nova campanha para o Vinho Madeira.
A campanha, denominada “Vinho Madeira: E o Natal acontece”, pretende transmitir uma imagem renovada, na continuidade da campanha lançada durante o Verão. As imagens são feitas numa praia, com uma árvore de Natal em fundo. Um ambiente não muito usual mas apelativo em termos de atrair públicos mais jovens e da introdução do vinho em ambientes que se calhar não eram muito comuns.
Já é tradição fazer estas campanhas, direccionadas principalmente para o mercado regional. Começaram há seis anos com cariz mais tradicional e mais ligado ao sector do vinho e foram evoluindo gradualmente, até chegarem ao dia de hoje de uma maneira mais incisiva e ecléctica em relação ao mercado. Esta campanha vem assim, na sequência da anterior campanha realizada no Verão, reafirmar a filosofia de tentar aproximar mais o Vinho Madeira do consumidor, principalmente da faixa etária mais jovem, indicando ao mesmo tempo que o consumo do Vinho Madeira se pode realizar em qualquer altura do dia e/ou ano e não só como aperitivo e digestivo e acompanhado de certos e determinados pratos. Tudo isto, feito sem retirar todo o peso histórico, tradicional e único que o Vinho Madeira tem.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Peixe-espada de cebolada

O peixe-espada preto, quase peculiar dos mares profundos da Madeira, onde vive em grandes quantidades, é colhido quase em exclusivo pelos pescadores de Câmara de Lobos. A sua forma, achatada e estreita assemelha-se a uma espada, sendo muito utilizado na gastronomia madeirense em caldeirada, assado, cozido, frito ou grelhado às postas e em filetes. Deixo aqui uma proposta simples que pode ser confeccionada todo o ano, visto que peixe-espada não falta por estas bandas.

Ingredientes:

4 postas de peixe-espada
2 dentes de alho
sumo de 1/2 limão
6 c. (sopa) de azeite
3 cebolas
sal e farinha qb

Começe por limpar as postas de peixe e depois tempere-as com o alho, sal e o sumo de limão. Envolva-as em farinha e frite-as em óleo bem quente. À parte, refogue com o azeite, em lume brando, as cebolas em rodelas finas, até alourarem completamente e sem queimarem. Por fim, deite este preparado sobre o peixe e sirva, acompanhado por legumes e semilhas cozidas e cortadas às rodelas.

Bom apetite!

Peru da Consoada


Até na gastronomia, a globalização fez com que fossem introduzidos novos pratos na quadra festiva que celebramos. Muito por força das grandes superfícies comerciais de distribuição alimentar, o peru apresenta-se à mesa dos madeirenses com mais frequência. Para não variar, na Festa, passou a ter o seu espaço ao lado de outros pratos regionais. Há muitas formas de confeccionar o peru de Natal, mas esta receita, testada há alguns anos, foi bem acolhida pelos comensais.

1 cabeça de alho
1 chávena de amendoin
1 c. (sopa) de sopa
150 g de bacon
1 cebola grande
6 cravinho da Índia
Rodelas de limão
50 g manteiga
150 g pão ralado
1 peru
12 grãos de pimenta em grão
200 g de carne porco moída
150 g queijo Emmental
1 raminho de tomilho

De véspera prepare o peru inteiro, lave-o muito bem e coloque-o num recipiente com água abundante e junte bastantes rodelas de limão, uma cabeça de alho esmagada, cravinhos-da-Índia, uma mão cheia de sal grosso e 12 grão de pimenta preta. Cubra com plástico aderente e deixe marinar no frigorífico. No dia seguinte pique muito bem a cebola, 2 dentes de alho, o bacon, e os amendoins. Refogue a cebola, o alho e o bacon no azeite, até alourar. Retire do lume e acrescente a carne de porco moída, o tomilho picado, o queijo ralado, os amendoins, o pão ralado e as raspas de limão, mexendo vigorosamente para que a mistura fique mais ou menos homogénea. Recheie o peru com este preparado e coza a entrada do peru com agulha e fio culinário. Coloque-o num tabuleiro untado, pincele com manteiga derretida e leve ao forno a assar durante 3 horas, a 180º. Sirva morno, acompanhado com semilhas, cenouras e bróculos cozidos.

Bom apetite!

Bolo Preto


O mel de cana sacarina produzido na Fábrica de Mel do Ribeiro Sêco tem certificado de qualidade e é um dos produtos regionais mais apreciados na doçaria madeirense. Ainda há pouco tempo, a fábrica lançou um livro de receitas com mel de cana, da autoria do Chefe Octávio Freitas e iustrado pelas fotos de Rui Silva. A receita que aqui deixo, foi recolhida pela Confraria Gastronómica da Madeira e publicada no seu livro "Sabores - receitas tradicionais madeirenses", tendo sido atribuída ao concelho da Ribeira Brava. O Bolo Preto é uma das iguarias da doçaria regional que mais se apresenta à mesa nesta quadra festiva.

Ingredientes:

500 g de açucar
250 g de manteiga
2 dl de leite
4 ovos
10 g de soda
1/2 noz-moscada ralada
raspa de um limão
2,5 dl de mel de cana
500 g de farinha
25 g de banha
1 cálice de Vinho Madeira
1 c. (chá) de canela
2 dl de cerveja preta
300 g de frutos secos ou cristalizados

Ligue o forno a 170 graus e unte com manteiga uma forma redonda. Forre com papel vegetal, que também deve ser untado e reserve. De seguida, derreta a manteiga e a banha num tacho e reserve. À parte, misture o leite com a cerveja, o mel e o vinho. Depois, adicione os ovos, um a um, seguidos da manteiga e da banha derretidas. Numa outra tigela misture, sem bater, o açucar com a soda, a noz-moscada, a raspa do limão, a farinha, a canela e os frutos secos partidos em bocadinhos. Verta o líquido anterior sobre esta mistura e envolva bem, até homogeneizar. Deite na forma e leve ao forno durante uma hora. Desenforme morno.

Bom apetite!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Estudo revela que comer pouco é o modo mais eficaz de ter vida mais longa

Comer pouco é o modo mais eficaz para ter uma vida mais longa, segundo um estudo de cientistas japoneses que a revista Nature divulga no seu último número.
A conclusão resulta do estudo do efeito que tem a enzima RHEB-1 na duração da vida e de como este componente se altera em função da ingestão calórica de cada indivíduo.
A investigação realizou-se com uma espécie de minhoca, mas a equipa da Universidade de Quioto que fez o estudo, dirigido pelo professor Eisuke Nishida, afirma no trabalho que a teoria é também aplicável aos mamíferos em geral.
Segundo o estudo, "a restrição alimentar é a intervenção mais eficaz e mais reproduzível para alargar a esperança de vida em espécies completamente diferentes".
Nos mamíferos, asseguram os investigadores, constatou-se a existência de dois regimes alimentares que têm uma clara incidência quanto ao prolongar da vida e na redução do número de problemas de saúde relacionados com o envelhecimento.
O primeiro é o "jejum intermitente", que de acordo com a investigação pode aumentar os anos de vida, inclusive nos casos em que a redução de ingestão de calorias é escassa ou mesmo inexistente.
O outro é "a restrição calórica crónica", que implica uma redução constante e continuada dos alimentos ingeridos e que também influi na citada enzima, cujo mecanismo subjacente de funcionamento continua a ser um mistério.
Os cientistas da Universidade de Quioto utilizaram minhocas da espécie "Caenorhabditis elegans" e poderam comprovar que aquelas que deixavam de comer durante dois dias aumentavam a sua longevidade em cerca de 50 por cento.
Além disso, as minhocas que jejuavam a cada dois dias eram mais resistentes aos processos de "stress oxidativo" e mostravam menos sintomas de declínio físico relacionado com o envelhecimento que os seus congéneres a quem se permitiu comer quanto quisessem.
A conclusão é indicativa de que comer pouco, jejuando de vez em quando ou reduzindo as calorias que se consomem, prolonga a vida, devido à influência que tem em vários processos como a resistência do organismo ao stress, o controlo da qualidade das proteínas e a integridade da carga do genoma.

Lusa