Do concelho da Ribeira Brava recolhemos esta receita que, igualmente por ocasião do Natal, merece aqui uma nota de destaque da gastronomia tradicional madeirense. Trata-se de um prato que pode ser confeccionado nos dias da Festa, proporcionando uma alternativa a quem precisa apresentar como iguaria em casa. Infelizmente, já não se encontra na oferta dos nossos restaurantes, pelo que, em casa, com familiares e amigos, constitui uma excelente opção e de fácil confecção.
Ingredientes:
900 g de carne de porco (entremeada)
3 cebolas
700 g de semilhas
2 pimentas
2 c. (sopa) de banha
1 c. (sopa) de colorau
2 folhas de louro
5 dentes de alho
3 tomates
Leve uma panela ao lume, com água temperada de sal e pimentas. Mergulhe a carne e deixe cozer por 40 minutos. Retire-a então do caldo e reserve. Junte as semilhas cortadas em meias luas e coza-as.
Depois de cozidas retire-as e reserve. Entretanto, corte a carne em pedaços pequenos e frite-os ligeiramente numa frigideira com a banha bem quente. Depois de estar dourada, adicione os alhos laminados, a cebola picada grosseiramente e o tomate em cubos. Deixe refogar. Tempere com o colorau e rectifique o sal. Adicione as semilhas e polvilhe com salsa picada. Sirva numa travessa.
Bom Apetite!
domingo, 14 de dezembro de 2008
Dicas e conselhos - Vinho e Comida

Se servir vários vinhos numa mesma refeição, deve começar pelo mais leve e fraco e acabar pelo mais forte e encorpado. O vinho que vai servir deve estar em harmonia com a comida que acompanha: os vinhos suaves devem acompanhar pratos pouco temperados e os vinhos fortes e encorpados convêm mais aos pratos pesados e temperados.
Entradas
Com as entradas deve ser servido vinho branco seco, vinho verde branco, vinhos generosos secos ou ainda vinhos espumosos secos.
Sopa
Com sopa é clássico 'molhar-se a boca' com generosos secos. No entanto, os vinhos rosados e os espumosos podem servir de vinho único ao longo de uma refeição.
Mariscos
Os mariscos servem-se, normalmente, com o mesmo vinho servido para os aperitivos (vinho branco seco ou verde) ou, se forem acompanhados por molhos picantes, com vinho branco suave, adamado.
Saladas e escabeches
Aos pratos avinagrados, como saladas muito temperadas ou escabeches, não convém nenhum tipo de vinho.
Peixes
Com peixe serve-se normalmente o mesmo vinho que serviu para os aperitivos (vinho branco seco ou verde). Se forem servidos com molhos picantes, aconselha-se um vinho branco suave, adamado.
Peixe estufado e caldeiradas
Com peixe estufado ou em caldeirada, convém apresentar vinhos tintos ligeiros (ou mesmo encorpados, se a caldeirada for picante).
Carnes frias
Com carnes e aves frias serve-se vinho branco adamado ou tinto ligeiro.
Massas
Com massas, legumes, arroz e ovos servem-se vinhos brancos adamados ou tintos ligeiros.
Carnes vermelhas e caça
As carnes vermelhas e a caça, assadas ou guisadas ou em pasta (tortas recheadas, empadas), servem-se acompanhadas por vinho tinto encorpado. As carnes assadas também combinam com vinhos espumosos secos.
Carnes grelhadas
Com carnes grelhadas ou assadas (desde que sem molho) serve-se vinho tinto leve.
Chanfana
Um prato confeccionado com um determinado vinho serve-se sempre acompanhado pelo vinho utilizado na sua preparação.
Queijos
Com queijos fermentados (crus) servem-se vinhos tintos fortes. Queijos de pastas cozidas (tipo gruyére) pedem vinhos tintos mais leves. Com queijos frescos servem-se vinhos brancos suaves.
Doces
Com doces não alcoolizados servem-se vinhos doces brancos, espumosos doces ou ainda generosos doces e meio-doces. Com doces confeccionados com licores ou aguardentes, só devem servir-se as bebidas utilizadas na sua preparação.
Fruta
Com fruta nunca se servem vinhos.
Café
Com café devem servir-se aguardentes.
Fonte: lusowine
Peru com castanhas

As castanhas da Madeira são apreciadas pelo seu sabor adocicado, e podem servir de complemento na confecção de alguns pratos principais, nomeadamente de carne de porco e aves. A sugestão que deixo hoje, visto estarmos próximo do Natal, permite enriquecer o cardápio a apresentar aos familiares e amigos.
Ingredientes:
1 peito de peru (cerca de 600 gramas)
6 dentes de alho
1 c (sopa) de colorau
sal e pimenta (qb)
1 c (sopa) de azeite
3 dl de vinho verde
300 g de castanhas
erva-doce
1 cenoura
Passas
Começe por misturar os dentes de alho esmagados com o colorau, sal, pimenta, azeite e o vinho. Dê uns golpes ao longo da carne e regue com o tempero. Coloque num tabuleiro e leve a assar no forno a 200º C, regando periodicamente a carne com o molho. Descasque as castanhas e coza-as em água temperada com sal e erva-doce (pode utilizar castanhas congeladas). Sirva a carne cortada às fatias finas, acompanhada com as castanhas e a cenoura ralada, polvilhada com as passas.
Bom apetite!
sábado, 13 de dezembro de 2008
Duarte Caldeira lança novo vinho de mesa "Terras do Avô"
O empresário madeirense Duarte Caldeira prepara-se para lançar um novo vinho de mesa na Região Autónoma da Madeira. Depois de vender a sua quota na Seiçal - Sociedade Produtora de Vinho do Seixal, o empresário fez uma outra com os filhos à qual chamou “Duarte Caldeira e Filhos - Seixal Wines, Lda.”
O objectivo é produzir vinhos de grande qualidade, feitos de uvas seleccionadas para competir com os melhores vinhos do mercado.
A nova produtora de vinhos já tem marca comercial para os vinhos tinto e branco que passará a comercializar, chama-se “Terras do avô”, que, segundo Duarte Caldeira, pretende homenagear a cadeia de avôs que está na origem das suas terras, que vêm do seu avô, e que as ligam ao próprio empresário que já é avô, com todas as cadeias intermédias que ligam a este parentesco. Ou seja, envolve quatro gerações.
Neste momento, já está a fazer o primeiro vinho. Um branco que estará no mercado em Fevereiro ou Março de 2009.
Trata-se de um “Terras do avô”, branco, 2008, com 12,5 graus, do qual será lançado cerca de cinco mil garrafas.
Seguir-se-á um tinto, com todas as castas tintas que produz, sendo, segundo o prOdutor, mais de metade Touriga Nacional, e também com Merlô, Sirah, Tinta Roriz ou Aragonês e Cabernait Sauvignon. “Terras do avô”, tinto, de 2008, com 13 graus, do qual prevê produzir 6.500 garrafas.
Posteriormente, o projecto incluirá um outro vinho, um “Terras do avô”, reserva, tinto, com duas castas: 70% de Sirah e 30% de Tinta roriz ou Aragonês. Prevê lançar cerca de três mil garrafas deste reserva com 14 graus, que sublinha ser a primeira vez que se produzirá um tinto na região com esta graduação.
Este vinho já está a estagiar em barricas de carvalho francês.
Todos os vinhos da Seixal Wines são feitos nas Adegas de São Vicente, sendo as vinhas do Seixal.
O objectivo é produzir vinhos de grande qualidade, feitos de uvas seleccionadas para competir com os melhores vinhos do mercado.
A nova produtora de vinhos já tem marca comercial para os vinhos tinto e branco que passará a comercializar, chama-se “Terras do avô”, que, segundo Duarte Caldeira, pretende homenagear a cadeia de avôs que está na origem das suas terras, que vêm do seu avô, e que as ligam ao próprio empresário que já é avô, com todas as cadeias intermédias que ligam a este parentesco. Ou seja, envolve quatro gerações.
Neste momento, já está a fazer o primeiro vinho. Um branco que estará no mercado em Fevereiro ou Março de 2009.
Trata-se de um “Terras do avô”, branco, 2008, com 12,5 graus, do qual será lançado cerca de cinco mil garrafas.
Seguir-se-á um tinto, com todas as castas tintas que produz, sendo, segundo o prOdutor, mais de metade Touriga Nacional, e também com Merlô, Sirah, Tinta Roriz ou Aragonês e Cabernait Sauvignon. “Terras do avô”, tinto, de 2008, com 13 graus, do qual prevê produzir 6.500 garrafas.
Posteriormente, o projecto incluirá um outro vinho, um “Terras do avô”, reserva, tinto, com duas castas: 70% de Sirah e 30% de Tinta roriz ou Aragonês. Prevê lançar cerca de três mil garrafas deste reserva com 14 graus, que sublinha ser a primeira vez que se produzirá um tinto na região com esta graduação.
Este vinho já está a estagiar em barricas de carvalho francês.
Todos os vinhos da Seixal Wines são feitos nas Adegas de São Vicente, sendo as vinhas do Seixal.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Dourada da Madeira no forno
Porque o Natal está à porta e as iguarias para receber bem os amigos e familiares em casa devem ser feitas com carinho e bem guarnecidas, deixo aqui uma sugestão diferente, aproveitando a oferta de Dourada da Madeira a bom preço e de fácil preparação.
Ingredientes:
4 Douradas limpas
1 kg de semilhas cozidas
150 g de bacon
3 cebolas
2 dentes de alho
1 dl de azeite
5 tomates maduros
oregãos
sal
pimenta
1 dl de vinho branco
Numa panela refogue no azeite quente o bacon em pequenas tiras, as cebolas cortadas e o alho. Depois de envolver, adicione o tomate cortado às rodelas e tempere com o sal, pimenta e os oregãos. Deixe cozinhar por 10 minutos. Enquanto isso, disponha o peixe num tabuleiro, de referência de barro, e por cima estenda o refogado. Regue com o vinho branco e leve ao forno por 20 minutos. Sirva com as batatas cozidas e cortadas às rodelas. Pode ainda acompanhar com bróculos e cenoura.
Bom apetite!
Miguel Fernandes
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Candidatura à UNESCO
Todos os votantes da sondagem deste blogue manifestaram-se favoráveis a uma candidatura do receituário tradicional madeirense a património da UNESCO. Ainda que sejam cada vez mais raros, os pratos tradicionais da Madeira, alguns confeccionados da mesma forma há muitos anos, bem que podiam ser candidatos a património cultural. A ideia está lançada e bem aceite. Aproveito para agradecer a participação na votação que
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Na Madeira o Natal é a Festa

Os madeirenses são fiéis cumpridores das tradições natalícias, desde a decoração do pinheiro em casa, na confecção das iguarias típicas da quadra festiva, até aos rituais religiosos. Dos costumes pagãos aos religiosos, o madeirense tem sempre algo a dizer e a fazer. A Madeira sempre viveu com intensidade a quadra natalícia, denominada como "A Festa".
No Funchal, os preparativos da Festa tiveram início a meados de Novembro, com a iluminação de Natal, transformando a capital madeirense num autêntico presépio, com ruas enfeitadas e coloridas, obrigando de certa forma os lojistas a acompanhar a decoração nas montras. Em Dezembro, os trabalhos passam pela decoração das praças com flores, nomeadamente com manhãs de Páscoa, azevinho e sapatinhos. A juntar-se a isto, a placa central da Avenida Arriaga transforma-se por completo, convidando, não apenas os locais, mas sobretudo os forasteiros a celebrar o Natal, com todas as suas componentes, num trabalho etnográfico de apreciável qualidade.
Na realidade, as manifestações festivas nas ruas do Funchal surgiram na década de 30. Em 1932, foi criada uma Comissão das Festas da Cidade, que “tinha por missão coordenar todas as actividades de diversão”. Um organismo que viria a ser extinguido após a constituição do Governo Regional e da Secretaria Regional do Turismo, instituição que chamou a si a organização do Natal e Fim-de-Ano madeirense. Hoje, sendo a Madeira uma Região turística, a convivência entre os locais e os estrangeiros é constante. Tal como antigamente, o Natal continua a ser a festa da família. No início de Dezembro, preparam-se todos os ingredientes para a Festa e marca também o início das missas do parto, que logo às primeiras horas da madrugada, reúne em cada paróquia centenas de pessoas, num convívio animado, dentro e fora da igreja, sendo tradicional a degustação de sandes de carne vinha d'alhos e canja, acompanhadas por vinho, licores ou cacau.
Em casa, é tempo das tradicionais limpezas, que incluem em muitos casos, a pintura interior das casas, para a recepção de familiares de outras zonas da ilha. É também no início de Dezembro que se prepararam os bolos e broas de mel, e ultimam-se os licores de diversos sabores. É igualmente a partir da primeira semana que se cumprem os rituais da função da morte do porco.
O ritual reúne vários elementos de uma prole, vizinhos e amigos, cada qual com uma função específica que vai desde a simples condução do animal entre o chiqueiro e a zona onde ocorrerá a morte, até ao corte da carne. Uma parte será para consumo ainda durante as festividades natalícias, mas o maior naco será cortado e salgado para conservação. Antes que o sangue coagule, deitam sal e benzem com um sinal de cruz, com uma faca, para que ninguém dê " mau olhado". Devidamente temperado com salsa e alho, o sangue é cozido e servido de seguida como dentinho (petisco) acompanhado por vinho seco ou aguardente, enquanto o porco é desamarrado e coberto por giesta ou urze para chamuscar o pêlo de ambos os lados. O recurso ao maçarico facilita a tarefa. Arrefecem com panos molhados, raspam a pele com utensílios laminados e lavam a carcaça. O porco é pendurado de cabeça para baixo para ser aberto ao meio, preso pelas patas traseiras, junto aos tendões. Com recurso a uma faca afiada e com um corte meticuloso, retiram o intestino e os restantes órgãos, como o coração, os pulmões e o fígado. Parte das carnes cortadas e das miudezas, servem para a refeição do final do dia. Uma espetada de carne com osso, e carne na panela, são confeccionados para todos os presentes que acompanham com pão caseiro, semilhas cozidas com casca temperadas com oregãos e o inhâme, sem faltar o vinho da casa. Enquanto todos confraternizam um dos elementos, o mais experiente no corte, procede à picada (corte e divisão): a febra para a carne vinho d'alhos do Natal, e a restante carne será salgada, incluindo a cabeça, as patas, as orelhas, a língua e o rabo. As tripas servem para os enchidos (bucho) e a banha é derretida para guardar e utilizar nos preparos da cozinha.
A noite do dia 23 de Dezembro tem passagem obrigatória pelo Mercado dos Lavradores, no Funchal. Em ambiente festivo, milhares de pessoas passeiam-se pelo interior e exterior do mercado, uns às compras de última hora, das frutas e legumes da época, de plantas para arranjos florais, enquanto a maioria procura simplesmente o convívio. As barracas de comes e bebes, estendem-se pelas ruas, circundantes ao mercado, fechadas ao trânsito. Canja de galinha, sandes de carne assada e de vinho d'alhos, fazem a alegria de todos.
Na noite de Natal, a missa do Galo é tradicionalmente participada por milhares de fiéis. No regresso a casa, trocam-se os presentes e servem-se em ambiente familiar a canja de galinha e bolos da festa.
No dia de Natal, a tradição gastronómica da Madeira revela-se diferente do restante território. Logo ao pequeno almoço, servem-se sandes de carne vinha d'alhos e cacau. Ao almoço, a galinha no forno e o lombo de porco assado, assumem a preferência dos madeirenses. Por norma, são escolhidas as melhores galinhas de casa, preparadas de véspera. O bacalhau e o peru têm ganho o seu espaço, sobretudo nas gerações mais novas e por influência das grandes superfícies de distribuição alimentar.
A 26 de Dezembro, "Primeira Oitava", manda a tradição que toda a família conviva numa das suas casas, num repasto em que voltam a entrar as carnes de porco, nomeadamente a carne vinha d'alhos, com semilhas cozidas e legumes. A variedade gastronómica depende muito da produção caseira e da localidade. A carne de vaca assada, o peru, o peixe-espada preto e o bacalhau também compõe o menu do dia.
O Natal, ou a Festa, mantêm o seu espírito intacto, com mais ou menos consumismo. As tradições ainda vivem, com uma ou outra mutação, nas ruas ou em casa.
Miguel Fernandes
Etiquetas:
bacalhau,
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peixe-espada,
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